Os hábitos de consumo no Brasil

Enviada em 12/04/2019

O paradoxo da identidade

“A massa mantém a marca, a marca mantém a mídia e a mídia controla a massa”. A frase anterior, dita por George Orwell, sintetiza o que os brasileiros vivem atualmente, a homogeneização dos costumes, já que todos são influenciados a consumirem determinados e específicos produtos. Diante disso, é crescente o número de cidadãos com os nomes bloqueados pela Secretaria de Proteção ao Crédito (SPC), devido as suas dívidas, bem como a perca de identidade, ocasionada pela pressão imposta pela sociedade em fazer alguém consumir para ser incluído.

Em primeira análise, vale ressaltar que foi após a Guerra Fria que houve um aumento significativo do consumismo, pois as invenções eram cada vez mais tecnológicas a vontade de obtê-las era maior. Entretanto, ação de comprar, atualmente, inverteu os valores, de necessidade para desejo, conhecida como “hipermodernidade” pelo filósofo Lipovetsky. Em contrapartida, o ato de planejar não foi modernizado e resultou no número alarmante de brasileiros endividados, cerca de 60 milhões, segundo o SPC. Sendo este, um dado que poderia ser diferente caso a população obtivesse apenas o que realmente necessita.

Além disso, outro fator que leva ao consumismo é a busca de aceitação social, ocasionado principalmente pela mídia e redes sociais, em que, em um determinado grupo que divide os mesmos hábitos de consumo, aquele que não os obtiver, será pelo menos, minimamente excluído. Porém, tal fato, pode fazer com que as pessoas percam a sua originalidade, assunto abordado no poema “Eu, etiqueta”, de Carlos Drummond de Andrade, cuja critica está na maneira como ocorre a mudança de identidade, devido a pressão feita à utilização de específicas marcas. Em suma, medidas para combater o consumismo precisam ser tomadas. Iniciando pelas escolas, que devem ser no currículo escolar, a matéria “Educação Financeira”, por meio de uma reunião feita com as autoridades estudantes e com a população, pedindo sua aprovação, para que desde crianças as pessoas saibam como gerenciar seu dinheiro.

Além disso, é necessário que ONGs (Organizações não Governamentais), façam parcerias com empresas públicas e privadas, com o objetivo de arrecadar fundos para realização de palestras em diversos locais da comunidade, bem como, a colocação de cartazes pela cidade, por via de voluntários, com o intuito de influenciar aceitação social, como também, encorajar as pessoas a usarem o que tiverem vontade, e não mais, o que que é imposto pela mídia. E só assim, um dia poderá ser dito que a mídia não controla a massa, negando a frase de Orwell.