Os hábitos de consumo no Brasil
Enviada em 03/04/2019
A Procura da Felicidade
Segundo Montesquieu, a sociedade é responsável por tornar necessário aquilo que é fútil e fútil aquilo que é necessário. Essa é uma interessante definição para o consumismo, que no Brasil, a partir de uma forte lógica capitalista, vem crescendo significativamente, muito devido ao apelo das mídias e uma baixa instrução dos cidadãos de como gerir seus recursos. Tal fato é alarmante e requer atenção em questões políticas, econômicas, sociais e ambientais.
Primeiramente, é importante destacar um fenômeno marcante da sociedade, com forte impulsão das mídias, a indústria cultural, que para o sociólogo Adorno, é a ferramenta de consolidação do capitalismo e responsável por persuadir as massas ao consumo exagerado, garantindo uma falsa recompensa de felicidade. Além disso, o apelo da mídia, embora tenha sucesso no que diz respeito ao lucro, falha miseravelmente ao criar um cenário de desigualdade e exclusão com aqueles que não podem consumir, além dos forte impactos ambientais, como mostra os resultados da ABRELPE, que deixa claro que o brasileiro produz cada vez mais lixo.
Ainda convém lembrar que a renda per capita do brasileiro aumentou nas últimas décadas, como revelam dados do IBGE, crescendo também, o poder aquisitivo dos consumidores. Porém, os baixos investimentos em educação afetaram na falta de habilidades de muitos cidadão para gerir seus dinheiro, geralmente com gastos superiores a arrecadação. Esse fato é confirmado pelo SPC em 2018, que registrou que aproximadamente 63 milhões de brasileiros estão endividados ou inadimplentes. Além do mais, os baixos investimentos influenciam na formação de indivíduos menos críticos e facilmente manipulados pelos meio de comunicação.
Com isso, percebe-se que o consumismo exagerado é um problema sério capaz de afetar diversas esferas do convívio social. Por isso, cabe ao Governo Federal, por meio do Ministério Público, tornar estatal a regulamentação de propagandas, diminuindo o poder do CONAR e ficando mais próximo dos exageros das mídias. Por fim, os poderes executivos, por meios dos seus Ministérios da Educação, devem investir em educação básica, com aulas de economia e debates sobre os riscos de consumir exageradamente, tanto para planeta como para a formação individual. A partir disso, acredita-se no aparecimento de um consumismo mais racional, com menos desigualdade e principalmente, com a formação de cidadãos mais sustentáveis.