Os hábitos de consumo no Brasil
Enviada em 04/04/2019
“O homem nasce livre mas por toda parte encontra-se acorrentado.” Tal declaração de Rousseau se faz essencial para o entendimento da íntima relação entre a cultura ocidental e o consumo. Nessa perspectiva, pode-se afirmar que tal consumo desenfreado é acompanhado por diversas consequências socioeconômicas extremamente danosas.
Em primeira instância, é preciso ressaltar as raízes históricas da problemática em questão. Com a ascensão do “American Way of Life” a necessidade de seguir o modelo de consumo proposto pelos Estados Unidos da América se fez presente no Brasil. Como resultado, o hábito de compra inconsequente passou a ser visto, não só como meio necessário para ser aceito na sociedade, mas também como válvula de escape para as adversidades da rotina. Isso é provado pela pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção de Crédito em que 40,2% dos brasileiros das classes A e B admitem ir às compras ao se depararem com uma situação estressante.
Ademais, em um país sem conhecimento mínimo sobre educação financeira, como o Brasil, não é possível atrelar o consumo com o crescimento da economia. Desse modo, o governo com tentativas falhas de impulsionar as compras, visando intensificar o ciclo econômico, obtém apenas um aumento do endividamento da população, aumento da taxa de juros e inflação.
Destarte, com o intuito de mudar o cenário atual, cabe ao Ministério da Educação implementar em todas as escolas do País aulas, obrigatórias e semanais, sobre finanças pessoais com o auxílio de professores, com bacharel em economia e habilitados a lecionar, para jovens a partir do Ensino Médio. Quem sabe, assim, esse hábito realizado de maneira consciente deixe de ser uma utopia na realidade brasileira.