Os hábitos de consumo no Brasil

Enviada em 10/04/2019

Com o advento da Primeira Revolução Industrial, em meados do século XVIII, e, posteriormente o Fordismo, que teve como uma de suas consequências a massificação da produção, o consumismo foi amplamente incentivado em uma escala global. Dessa maneira, os hábitos de consumo no Brasil acompanharam a globalização, crescendo de maneira desenfreada. Isso ocorre uma vez que a lógica capitalista transmite a ideia do “ter para ser”, ou seja, o indivíduo só se realiza mediante a obtenção de bens materiais. Além disso, a falta de educação financeira é o principal agravante, responsável pela ignorância do consumidor brasileiro.

Em primeira análise, é indubitável que o sistema político-econômico que rege o mundo atual, o capitalismo, incentiva o consumismo, uma vez que este gera lucro ao burguês. Assim, a lógica capitalista atual insinua através de propagandas, porquanto é criada por quem quer defende-la, que a aquisição de bens e serviços traz a plenitude, mesmo que o capital próprio não seja suficiente para pagar pela compra. Com isso, a máxima do consagrado ator Will Smith vem à tona, “Muitas pessoas gastam dinheiro que não tem, para comprar coisas que não precisam, para impressionar pessoas que não gostam. ”, demonstrando clareza e consciência acerca da máquina que é o capitalismo.

Outrossim, a falta de educação financeira é um grande problema, uma vez que, sem ela, o brasileiro não tem plena ciência de suas limitações financeiras, de seu crédito e de como usar seu capital de maneira consciente, o que culmina em dívidas, que muitas vezes não conseguem ser pagas por conta da má gestão que as gerou em primeiro lugar. Isso faz com que o consumidor seja vulnerável às manipulações no preço, por exemplo, que as grandes empresas fazem, acreditando em promoções e datas inventadas pelo comércio com o objetivo de aumentar as vendas.

Em síntese, os hábitos de consumo no Brasil têm a filosofia do “ter para ser” e a ausência da educação financeira como principais problemáticas. Por isso, propagandas que visem descontruir a ideia de que adquirir bens traz felicidade em vias midiáticas de livre acesso, possibilitadas através de organizações não-governamentais em parceria com o Ministério da Economia, para que o consumo de itens desnecessários possa ser minimizado. Ademais, a adição da educação financeira como disciplina na Base Nacional Comum Curricular, assim como sua disponibilização como curso livre e de graça em universidades, por parte do Ministério da Educação e instituições de ensino, para que o consumo consciente seja incentivado e o consumidor brasileiro seja educado acerca de suas próprias finanças. Somente assim a problemática poderá ser resolvida.