Os hábitos de consumo no Brasil
Enviada em 15/04/2019
No filme " Os delírios de consumo de Beck Bloom", a protagonista Rebecca é uma jovem compradora compulsiva que, impulsionada pela mídia e pelo indústria da moda, acaba com o saldo insuficiente para pagar as diversas dívidas contraídas. Embora seja uma obra cinematográfica, o filme apresenta características que se assemelham ao atual comportamento brasileiro pois, assim como a obra, o consumo exacerbado devido ao alto esforço propagandístico somado à ausência de educação financeira, influenciam negativamente os padrões de consumo dos brasileiros. Assim, faz-se pertinente analisar tal quadro, intrinsecamente ligado a aspectos educacionais e econômicos.
Em primeiro plano, é valido ressaltar que mídia comercial configura-se como um coeficiente da problemática. Tal fato se deve, sobretudo, a propagandas que enfatizam a necessidade do consumidor adquirir certo produto de modo à associá-lo à felicidade ou a realização pessoal, além de sempre darem ênfase na compra do novo e atualizado, o que leva a efetuação da compra pelo indivíduo mesmo que esse já tenha em maõs um produto totalmente funcional. Nessa conjutura, em um sistema global, majoritariamente capitalista, as propagandas comerciais passam a exercer uma postura manipuladora afim de convencer a população a comprar cada vez mais e, consequentemente, enraíza hábitos consumistas.
Outrossim, a falta de conhecimento é outra catalizadora do atual cenário. É irrefutável que a carência de uma educação voltada ao âmbito econômico que imunize o indivíduo do consumismo, assim como a resistência a propagandas corrobora para a alienação de uma significativa parcela populacional. Além disso, quando a sociedade não é capaz de controlar seus gastos, a taxa de contração de dívidas por essa camada social cresce exponencialmente, afetando, por conseguinte, o poder de compra da população e principalmente da camada com menor poder aquisitivo. Logo, tal postura consumista persistente na sociedade, ajuda a acentuar a diferença de classes no país.
Sob esse viés, torna-se mister a realização de medidas que visem atenuar a situação. Em primeiro lugar, é necessário que a mídia aliada à empresas que se utilizam da mesma mudem a linguagem propagandística que é passada ao consumidor, por meio de propagandas que enfoquem no consumo sustentável e consciente com o intuito proporcionar a uma reflexão sobre se há ou não a necessidade do consumo de certo produto. Da outra parte, o MEC, por meio de verbas governamentais, deve inserir na grade curricular o ensino voltado à economia e gestão do dinheiro, afim de estimular o pensamento crítico e conscientização do tecido social desde cedo. Destarte, observada a ação conjunta de setores midiáticos e MEC, será possível minimizar gradativamente esse fato social no Brasil.