Os hábitos de consumo no Brasil
Enviada em 08/04/2019
O consumo sempre esteve presente na história humana, no entanto, as suas formas e funções se modificam concomitante às demandas da sociedade em seu tempo. Logo, o consumo que outrora significava manutenção da vida a partir do básico, como nas estruturas nômades, hoje tornou-se um meio de comprovar o poder aquisitivo de uma classe - um grave problema político-social brasileiro, pois tem relação direta com a disparidade econômica e com as questões ambientais hodiernas.
Em primeiro plano, de acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, o consumo atual organiza as relações sociais. Ou seja, o ato de consumir ganhou tamanha importância social que na pós-modernidade, a divisão classista baseia-se no poder de compra do indivíduo. Nesse sentido, no Brasil - como 10° país mais desigual do mundo - a renda nacional e o poder aquisitivo não são bem distribuídos: enquanto parte da população tem doenças compulsivas consumistas, outra parte não possui sequer moradia, o que legitima a aquisição como grande distintiva de classes.
Ademais, é importante ressaltar a intensa relação entre consumo demasiado e graves problemas ambientais: quanto mais se consome mais lixo é produzido, com enfoque no plástico - polímero sintético de fácil uso e difícil descarte. O Brasil é o 4° país que mais gera esse resíduo, e no entanto, o país só recicla 1,28%, segundo o relatório WWF. Esse fato é alarmante quanto ao futuro nacional, pois o material plástico demora em média 450 anos para biodegradar-se, e seu descarte indevido pode agredir a fauna marinha e contribuir para entupimento de bueiros urbanos.
Portanto, sintetiza-se que é primordial a educação populacional sobre os hábitos de consumo e seus impactos no Brasil. Dessa forma, o Governo Federal em conjunto às escolas devem promover campanhas perenes nas mídias tradicionais, redes sociais e projetos nos colégios com intuito de informar a importância do uso da autonomia para a compra consciente, por meio de vídeos de conteúdo informativo e da integração da educação financeira na grade curricular. Assim, a tese exposta se atenuará no país.