Os hábitos de consumo no Brasil
Enviada em 15/04/2019
Em épocas pré-modernas, a exemplo da Idade Média, produções de subsistência eram base de dinâmicas sociais. Com o advento das Revoluções Industriais, a perspectiva de fabricação-compra foi alterada, surtindo efeitos que perduram até dias contemporâneos. O Brasil vivencia uma realidade preocupante no que tange a hábitos de consumo, num cenário carente de educação financeira e exposto a publicidades exacerbadas, as quais influenciam ações coletivas.
Primeiramente, a educação e o planejamento relacionados às finanças não são temas discutidos com frequência. Esse fato faz com que grande parte da população não saiba organizar suas contas. Segundo o Serviço de Proteção ao Crédito, SPC, em 2017, 59 milhões de pessoas estavam inadimplentes no país, o que reitera a falta de controle e de planejamento de gastos. Ademais, compras feitas por impulso, incentivadas por condições facilitadas de pagamento, agravam dívidas, pois muitos consumidores perdem a noção do total devido em razão de parcelas de baixo valor, as quais dão a falsa impressão de pouco montante.
Por outro viés, a publicidade tem papel crucial em influenciar o consumo. Propagandas de produtos diversos, principalmente quando atreladas a famosos, nos atuais ‘‘publi-posts’’ em redes sociais, têm poder de persuadir muitas compras, às vezes desnecessárias, corroborando noções de consumismo. Além disso, anúncios voltados ao público infantil fomentam falsas necessidades aquisitivas desde cedo em muitas crianças. Essa situação, relacionada à ausência de educação financeira, motiva que crianças cresçam sem conhecimento da importância do consumo consciente, tornando-as mais sujeitas a serem adultos inadimplentes.
Em face dessa realidade, o Ministério da Educação, junto ao SPC, deve promover a educação financeira de estudantes e familiares. Incluir no ensino básico, a partir do nono ano, aulas sobre economia doméstica e planejamento de gastos familiares é o primeiro passo para tentar evitar cenários de descontrole de finanças. Palestras periódicas que reúnam pais e estudantes para discutir sobre o tema também podem ser satisfatórias. Essas ações devem ter vistas a (re)educar a população de modo geral para que hábitos de consumo se tornem saudáveis e equilibrados, de modo a não prejudicar tanto a vida privada, quanto coletiva.