Os hábitos de consumo no Brasil

Enviada em 09/04/2019

A sociedade do consumo foi concebida a partir da Revolução Industrial dos séculos XVIII e XIX que proporcionou a produção, o transporte e a venda em massa. Ademais, a consolidação da “equação do consumo” se deu pelo estabelecimento do trabalho ininterrupto na fábrica. Com isso, o indivíduo que necessitava de uma produção agrícola satisfatória no campo, para obter alguma renda, passa a dispor de um capital fixo, portanto, confiança para consumir. Dessa forma, a difusão de valores inverídicos sobre o consumo e a ausência de educação financeira na sociedade brasileira fomentam o consumismo. Fatos como esses demonstram a ineficiência ou inexistência de políticas públicas voltadas ao tema e evidenciam a necessidade de se discutir acerca da problemática em questão.

É importante pontuar, de início, que a falsa ideia difundida na comunidade brasileira de que a compra é um instrumento de ascensão social infere no comportamento habitual de consumo dos cidadãos. Nesse sentido, o sociólogo Émile Durkheim, ao trabalhar o conceito de fatos sociais, exprime a preponderância da sociedade sobre os indivíduos, ao passo que ela age como uma força modeladora que coage a seguir determinados padrões. Outrossim, “em tempos líquidos, onde nada é feito para durar”, como afirma o filósofo Bauman, o corpo social mantém uma constante busca por novas realizações e anseios. Por conseguinte, como define Platão, o desejo está presente somente na falta, o que denota a busca incessante por novas aquisições.

Ainda, é importante pontuar que, a escassez de escolas de ensino primário que incorporem educação monetária na grade curricular possibilita a formação de pessoas suscetíveis a desenvolver costumes de consumo exacerbado. Dessarte, o filósofo John Locke ao afirmar que “o homem é uma tábula rasa e todo processo do conhecer, do saber e do agir é adquirido pela experiência” reforça a necessidade da escola educar o aluno quanto à ética com as finanças, haja vista que a maior parte da sua infância é vivenciada no educandário. Além disso, a desordem financeira, característica das famílias brasileiras, dificulta a instrução das crianças quanto à gestão eficiente da renda, ao passo que, segundo dados da “Folha de S. Paulo”, 40,5% dos adultos estão cadastrados como devedores.

Por tudo isso, faz-se necessário que haja uma mobilização da sociedade com vistas a diminuir os problemas relacionados ao tema. Para tanto, o governo deve promover a difusão de ideais sobre o consumo consciente, por intermédio da inserção de propagandas em canais abertos de TV, em programas de grande audiência, para tornar as pessoas mais argutas aos hábitos consumistas prejudiciais. Além do mais, a escola juntamente com a família devem promover a instrução financeira dos alunos, por meio de reuniões e debates, para proporcionar a formação de adultos mais sensatos.