Os hábitos de consumo no Brasil

Enviada em 15/04/2019

Quando Maquiavel postula em sua obra “O Príncipe” que o homem não tolera a perda de seu patrimônio material, ele paralelamente alerta o Estado sobre a importância que o bem material representa para uma dada população. Da mesma forma, os pensadores da Escola de Frankfurt denunciam a realidade da época pela ascensão da Indústria Cultural na qual a emergência do capitalismo incentiva o consumo pelo âmbito da posse. Nesse contexto, ao herdar grande parte dos valores do Ocidente, a sociedade brasileira também adquire, por conseguinte, costumes aquisitivos que configuram, por sua vez, um cenário preocupante quanto às consequências que o acompanham, marcadas especialmente pelo comportamento do atual e futuro cidadão dessa população.

Nesse contexto, uma pesquisa realizada pelo Instituto Akatu teve por objetivo principal avaliar o status de consciência de consumo do brasileiro, e seus resultados revelaram que 76% dos entrevistados se enquadram como consumidores menos conscientes. Esses dados estão diretamente relacionados ao grau de escolaridade desses indivíduos bem como à classe social dos participantes, sendo os indivíduos mais conscientes concentrados no grupo de maior escolaridade e, geralmente, pertencentes a classes sociais mais altas. Isso leva a acreditar que o acesso às informação e instrução podem direcionar esses hábitos na população.

Além dessa perspectiva, o uso de figuras da mídia que influenciam públicos-alvo específicos também desempenha um papel importante nesse mercado capitalista. A representação de personagens como Maísa, Larissa Manoela e Poliana, entre outras, que têm grande poder persuasivo sobre o público infantil, acabam por incitar a aquisição de quaisquer artigos que se utilizam de sua imagem, independentemente de sua natureza. Dessa forma, a concessão desse costume dispêndio desde a infância, por parte dos pais principalmente, é um dos fatores fundamentais que moldam o futuro do consumidor da sociedade verde-amarela.

Dessarte, faz-se necessário que o Ministério da Educação lance mão de políticas instrutivas por intermédio da instauração e valorização da discussão de práticas consumistas e sociedade capitalista com maior veemência na Base Nacional Curricular Comum, a fim de inteirar o escolarizando acerca da racionalidade do consumo nas diversas esferas do mercado industrial. Ademais, cabe ao Ministério da Cidadania, por meio de veículos midiáticos, as divulgação e discussão dos dados da Pesquisa Nacional de Orçamento Familiar, que indicam os principais gastos dessa população, para que o povo brasileiro reconheça a necessidade de redirecionar seus hábitos consumistas dentro de seu contexto social.