Os hábitos de consumo no Brasil

Enviada em 08/04/2019

Segundo o filósofo polonês Zygmunt Bauman, a sociedade contemporânea desenvolveu-se dentro de um cenário de Modernidade Líquida, no qual as relações interpessoais e as convenções sociais tornaram-se efêmeras e superficiais. Por conseguinte, é indubitável que o consumismo atrelado ao povo brasileiro está fortemente associado ao crescimento da cultura capitalista e ao reflexo cultural da liquidez moderna, decorrente do processo de industrialização e o consequente aumento do individualismo. No entanto, essa questão cresce de forma problemática dentro da comunidade, consolidando hábitos negativos na vida do cidadão. Nessa perspectiva, é impreterível a necessidade de uma intervenção governamental com o fito de mitigar os efeitos nocivos do consumismo desenfreado e inconsequente.

A princípio, cabe ressaltar que o modelo capitalista vigente no Brasil contemporâneo visa promover a acumulação financeira, por meio do consumismo e da lei da demanda. Devido a isso, foi criado no meio industrial a premissa da Obsolescência Programada, no qual os produtos são criados já com um prazo de qualidade pré-determinado, com o intuito de promover a troca dos mesmos, fazendo o mecanismo do consumo funcionar. Contudo, essa tática industrial também causa impactos no comportamento social do consumidor, pois a liquidez social da modernidade incita os indivíduos a buscarem pelo mundo das aparências, prezando pelos melhores produtos, como visto no mercado de smartphones, no qual o melhor celular é relacionado à status e visibilidade social, algo infeliz, porém muito comum no Brasil.

Outrossim, sabe-se que foi a partir da Revolução Industrial que surgiu o processo de urbanização, trazendo como reflexo o aumento do individualismo, decorrente da mudança comportamental cobrada pela modernidade, marcada pela correria e pelo consumo sem precedentes. Dessa forma, mesmo com o aumento da concentração humana, é visível o distanciamento entre as pessoas, que buscam constantemente pela superioridade financeira e material, sendo um forte combustível para o hábito de consumo desenfreado alimentado pelo brasileiro.

Infere-se, portanto, a necessidade de buscar soluções viáveis para essa problemática. Para isso, é de suma importância que o Governo Federal, em parceira com empresas de marketing, busque promover um projeto de valorização pessoal, que demonstre na prática os impactos econômicos, sociais e ambientais decorrentes do consumismo inconsequente, por meio de palestras e workshops em corporações, universidades e principalmente, escolas de nível fundamental e médio, visando criar cidadãos conscientes e não manipuláveis que possam perpetuar bons hábitos num futuro próximo.