Os hábitos de consumo no Brasil

Enviada em 08/04/2019

Maria Antonieta foi um grande símbolo do descontrole no consumo, uma vez que, mesmo dentro de uma França em crise, exibia uma vida de luxos. De maneira análoga, no Brasil hodierno, tal quadro de má educação financeira faz-se uma realidade, dado o questionável consumo populacional, movido, principalmente, por promoções, a exemplo da “black friday”. Com isso, fica claro o impasse, seja pela insuficiência estatal, seja pela mentalidade cívica contemporânea.

Decerto, o país possui inúmeras problemáticas. Nesse ínterim, o descuido no trato do consumo mostra-se latente, haja vista o contingente de cidadãos endividados na nação, o que atinge o bom funcionamento econômico por atenuar a População Economicamente Ativa (PEA). Assim, nota-se o rompimento das gestões públicas com a lógica de Thomas Hobbes, a qual pontua o Estado, por meio do contrato social, como o responsável pela harmonia coletiva, pois, apesar do conflito, há a carência de políticas efetivas.

Outrossim, vale ressaltar a óptica civil atual como notória impulsionadora do problema. Nesse contexto, Zygmunt Bauman defende, na corrente de liquidez moderna, o caráter obsoleto dos elementos. Seguindo isso, observa-se que os maus hábitos de consumo do brasileiro são fortalecidos pela visão líquida, a qual desvaloriza rapidamente os dispositivos, porque, a fim de atender o desejo pelo novo, o consumismo é estimulado. Desse modo, uma sociedade de posicionamentos líquidos é instaurada.

Infere-se, portanto, a necessidade de medidas que revertam a situação. Nesse caso, cabe às prefeituras a criação de um pacote com ações, como o ensino de educação financeira nas comunidades, para minimizar o cenário abjeto. Ademais, compete às associações comunitárias, aliadas às famílias e escolas, a elaboração de projetos lúdicos, como amostras fotográficas, acerca da liquidez moderna, para desconstruir a ordem vigente. Destarte, o consumo dos brasileiros não será análogo ao de Maria Antonieta.