Os hábitos de consumo no Brasil
Enviada em 09/04/2019
No filme ‘‘Os delírios de consumo de Becky Bloom’’, Becky, uma jornalista, lida com os dilemas de seu vício em compras, que a leva a um completo endividamento e à falência de sua vida financeira. Ao traçar um paralelo com a realidade, é nítido que os hábitos de consumo no Brasil, realizados em parte de maneira irresponsável, influenciam negativamente a saúde monetária do indivíduo, o que instiga a sociedade a refletir sobre os fatores que influenciam a questão. Assim, é lícito afirmar que a coerção da mídia, além da ausência de uma educação financeira, colaboram para a perpetuação desse revés.
Primeiramente, é ingênuo acreditar que os meios de comunicação são isentos de culpa no que se refere aos maus hábitos de consumo dos brasileiros. Por esse ângulo, a combinação insensata entre o capitalismo selvagem na venda de espaços publicitários para empresas de bens de consumo, que vão desde automóveis a produtos de beleza, e a facilidade em obter um cartão de crédito na atualidade, leva o indivíduo a alienar-se e acreditar na falsa sensação de poder de compra. Consequentemente, ao adquirir produtos muitas vezes desnecessários e não conseguir pagar a dívida, por sua vez, o sujeito sofre com o endividamento. Sob esse aspecto, Theodor Adorno, pai do conceito de ‘‘Indústria Cultural’’, diz: ‘‘O consumidor não é soberano, ele é o objeto da manipulação da mídia’’. Desse modo, vê-se que enquanto ser rodeado por informação em um contexto cada vez mais consumista, a pessoa é seduzida e levada a agir de modo imprudente.
Outrossim, não há dúvidas de que uma reflexão sobre educação financeira, por parte da escola e da família, poderia impactar positivamente os brasileiros. É visível ainda faltar na grande maioria das escolas, sejam públicas ou privadas, e na maior parcela dos núcleos familiares no país, medidas que influenciem as crianças a desenvolver uma postura crítica e responsável, como disciplinas e eventos que tratem de temas sobre finanças pessoais e práticas conscientes de consumo, e que possam ajudá-las a chegar na vida adulta com uma postura responsável. Nesse sentido, John Locke pontua: ‘‘O ser humano é um quadro em branco que é preenchido por experiências e influências’’. Dessa forma, percebe-se a importância de uma educação prematura que leve a bons hábitos no presente e futuro.
Faz-se evidente, portanto, que ações são necessárias para deter o endividamento resultado por más práticas de consumo e construir no Brasil uma mentalidade ponderada sobre compras. Para isso, o Poder Legislativo deve, por meio de um amplo debate entre Estado e sociedade civil, regulamentar o volume de publicidade em mídias como televisão e internet, além de determinar que operadores de cartão de crédito adotem critérios mais rigorosos para fornecimento de crediários às pessoas. Somado a isso, escolas devem ofertar aulas e palestras sobre educação financeira para alunos e responsáveis.