Os hábitos de consumo no Brasil
Enviada em 09/04/2019
No filme “Os delírios de consumo de Becky Bloom, a protagonista Rebecca uma colunista financeira que alcança a fama repentinamente encontra-se a ponto de arruinar sua vida por ser uma compradora compulsiva. A personagem evidencia um dilema bastante comum dos consumidores brasileiros, elevar seu padrão de vida de acordo com o aumento de sua remuneração, sem margem para emergências. Destarte, acumular bens materiais não é sinônimo direto de riqueza, nem de investimento. Na contemporaneidade, uma taxa majoritária dos indivíduos se encontram endividados seja por decisões precipitadas ou falta de conhecimento para manusear seu dinheiro, sendo isso uma consequência da ausência de educação financeira para os cidadãos.
Com a ascensão da revolução industrial e as vagas de emprego na indústria, o salário fixo pago pela mesma proporcionava segurança a seus trabalhadores para comprarem demasiadamente, pois, antes necessitava-se fazer contas e até mesmo juntar verbas para obter certo produto à vista, mas, com a opção de parcelamento e o capital preciso para tal forma de pagamento, toda e qualquer aquisição dificilmente encontraria barreiras para findar-se. No entanto, a acumulação de posses não isentaria o homem de crises financeiras futuras. Sendo assim, usufruir de todo o ganho é apenas bancar um falso luxo, uma ilusão.
Não obstante, os meios de comunicação intensificaram essa compulsão de tal forma que comprar tornou-se sinônimo de lazer e recompensa pessoal. Como resultado, os brasilienses planejam seu capital de forma totalmente contrária e errônea, colocam como prioridade o gasto, com o valor restante pagam as contas e não guardam quantia alguma. Essa grande propagação se deu por meio de propagandas na TV, rádios, divulgação pela internet, outdoors e todas as outras formas de divulgação, propagandas associando comidas à felicidade, roupas e cosméticos à popularidade, imagens coloridas e chamativas à sonhos de toda criança e no fim ninguém encontra-se imune aos hábitos de consumo. Um exemplo que ilustra esse cenário é o período de Black Friday que direciona a sociedade, em massa, aos comércios.
Portanto, com o objetivo de diminuir o consumo desenfreado, cabe ao Governo juntamente com a Secretaria da Educação dos estados incluírem educação financeira no currículo escolar dos jovens do Brasil. Soma-se a isso a realização de oficinas que ensinem a interessados de todas as idades a montar e utilizar planilhas de gastos, para controlarem seus patrimônios de forma consciente e palestras gratuitas que traga a público as melhores formas de investimento e como atingir a liberdade financeira mesmo em contato com as tentações esmagadoras do mercado.