Os hábitos de consumo no Brasil
Enviada em 13/04/2019
Conforme o filósofo Zygmunt Bauman, no modelo econômico vigente não há como escapar do consumo, de modo que o problema se encontra no desejo insaciável de continuar consumindo. Sob esse viés, nota-se que o consumismo exacerbado - processo em crescimento exponencial desde a difusão do " Modelo de vida americano “, após a crise de 1929 - tem acarretado problemas de âmbito social e ambiental para o Brasil. Desse modo, é de fundamental importância avaliar como a mídia e a falta de educação financeira influenciam os hábitos de compra do brasileiro.
Em primeiro plano, segundo o conceito de indústria cultural, dos filósofos Adorno e Horkheimer, os meios de comunicação são usados para massificar a cultura e padronizar o ser humano, manipulando—os para o consumo, por exemplo. Nessa perspectiva, observa-se que propagandas, novelas, filmes e redes sociais difundem um padrão de vida, considero ideal e satisfatório, alcançado por meio da obtenção de bens materiais, de maneira que os indivíduos buscam constantemente, por meio do consumismo, atingir esse modelo inventado pelo capitalismo. Cenários como esse propiciam, além da insatisfação pessoal e ansiedade gerada pela pressão de se adequar a um parâmetro, o aumento significativo na produção de lixo, uma vez que este é diretamente proporcional ao consumo de produtos que serão, cedo ou tarde, descartados , afetando, assim, a natureza e o bem-estar dos cidadãos.
Concomitantemente, à questão da mídia, os dados divulgados pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), os quais afirmam que apenas três em cada dez brasileiros consomem com consciência, corroboram a necessidade de uma educação que não se distancie da realidade dos alunos, como do aspecto econômico da vida destes. Contudo, as escolas brasileiras carecem, frequentemente, de atividades que ensinem o básico sobre finanças, como economizar e administrar o dinheiro, por exemplo, e que desenvolvam o senso crítico dos jovens. Por conseguinte, verifica-se que a população, sem conhecimento e pensamento analítico, é mais facilmente manipulada por propagandas e promoções, gastando valores maiores que o orçamento, e se endividando.
Portanto, são necessárias medidas capazes de mitigar essa situação. Para tanto, é preciso que o MEC torne obrigatório ( e fiscalize com frequência ) o ensino de finanças, em todas as séries, para que, com o auxílio de especialistas, as crianças e os jovens aprendam a administrar o dinheiro, evitando endividamentos. Somado a isso, o MEC também deve promover campanhas de engajamento, que envolva alunos e familiares, e por meio de palestras e atividades interativas ajudem a desenvolver o pensamento analítico e demostrem os perigos do consumismo para o indivíduo e para o meio ambiente. Assim, teremos um país mais consciente e com melhores hábitos de consumo.