Os hábitos de consumo no Brasil
Enviada em 10/04/2019
Historiadores e economistas relatam que algumas décadas anteriores à crise de 1929 foram as melhores para a economia estadunidense. O famoso “American Way of Life” (estilo de vida americano – em português) difundiu-se por todo o mundo, caracterizando o início de uma sociedade global, sobretudo, consumista. Já no Brasil do século XXI a situação não foi diferente. Seja pela influência midiática, seja pela relevância no status social, o consumo desnecessário ganha dimensões preocupantes haja vista suas graves consequências ambientais.
O padrão de consumo hodierno é uma característica recente na sociedade brasileira. Sob essa ótica, os filósofos da Escola de Frankfurt, Adorno e Horkheimer, foram os pioneiros no estudo da mídia e seu potencial de influência em massa. No século XX, segundo eles, esta foi uma grande ferramenta usada por governos autoritários para enaltecer o regime. Nessa conjuntura, em um sistema global, majoritariamente capitalista, a mídia passa a exercer sua função manipuladora para convencer a população a comprar cada vez mais e, consequentemente, perpetua os hábitos consumistas.
Além disso, alguns valores típicos da sociedade atual tornam-se contribuintes na prática do consumo. Dessa forma, o poder aquisitivo de um indivíduo é o que corresponde ao seu valor social, evidenciando essa perspectiva na ideia proposta pelo sociólogo Zygmunt Bauman em que as pessoas buscam sua identidade não no que são, mas no que consomem. Por conseguinte, o gasto com produtos supérfluos torna-se necessário para que o cidadão seja valorizado no meio social.
Com efeito, é imprescindível uma sinergia entre o Estado e a população para resolver o impasse em pauta. Para isso, cabe ao Ministério da Educação estimular o pensamento crítico na sociedade por meio de palestras nas escolas e propagandas em telejornais, evitando a entrada da população no mundo consumista sem um senso consciente pré-formado, que ao ser realizado desde os anos inicias de ensino é capaz de consolidar esse aprendizado e contribuir na concepção de indivíduos mais críticos. Assim, pode-se estimar uma sociedade mais consciente nesse âmbito.