Os hábitos de consumo no Brasil

Enviada em 15/04/2019

Na sociedade brasileira contemporânea, consumir deixou de ser apenas uma necessidade e se tornou uma forma de obter projeção social.  Assim, atingindo principalmente o público jovem que enxerga no consumo uma forma de aceitação social, essa concepção leva as pessoas a não ponderarem se a aquisição de um bem é realmente necessária e se está dentro de suas possibilidades financeiras. Nesse sentido, cabe avaliar as vertentes que corroboram para o desenvolvimento do mau hábito de consumo no Brasil.

Primeiramente, deve-se salientar que a atribuição de valor a um produto além de sua utilidade configura-se como agente ativo nessa problemática. Consoante Marx, tal fato se compreende como fetiche de mercadoria, onde um produto é adquirido não pela sua utilidade, mas pelo status que vem junto com ele. Assim, produtos utilizados por famosos têm um valor que vai além de sua serventia, se tornando praticamente um requisito para aceitação social e confirmação de prosperidade daquele que o possui.

Outrossim, faz-se mister salientar a falta de educação financeira como impulsionador do problema. Segundo pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Consumidor (SPC) e a Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL), apenas 30% dos brasileiros são consumidores conscientes, demonstrando que o brasileiro não aprende, especificamente nas escolas, como consumir de maneira adequada e acabam comprando produtos desnecessários, o que em muitos casos culmina na geração de dívidas impagáveis que comprometem a qualidade de vida desse indivíduo.

Portanto, medidas são necessárias para que o brasileiro tenha hábitos de consumo saudáveis. Destarte, o Governo Federal em parceria com o SPC deve promover a conscientização dos consumidores, principalmente dos jovens, a respeito dos perigos do consumismo através da realização de campanhas publicitárias que exponham tais malefícios, visando a formação de consumidores responsáveis. Ademais, o Ministério da Educação (MEC) deve promover formação de consumidores conscientes por meio da inclusão, na grade curricular obrigatória, de aulas voltadas especificamente para o gerenciamento das finanças pessoais e para a discussão sobre os aspectos do consumo e suas implicações na sociedade, promovendo o desenvolvimento de cidadãos que consumam de forma responsável.