Os hábitos de consumo no Brasil

Enviada em 14/04/2019

Na pós-modernidade, a crescente globalização permitiu o aumento exacerbado do consumismo, que por sua vez é o hábito de adquirir produtos e serviços sem necessidade, apenas por impulso ou para o prazer e felicidade momentâneos, podendo, então, tornar-se uma compulsão. É notório que diversas propagandas relacionam o consumo com felicidade e mostram que certos produtos podem melhorar a vida das pessoas, portanto, são propagandas abusivas que influenciam negativamente o comportamento consumidor da sociedade.

Em primeiro plano, verifica-se que a falta de orientação financeira, a falha ao economizar e poupar despesas, são fatores que sustentam o problema. Um processo que começou com a Revolução Industrial, na qual a produção em massa intensificou a venda e o consumo desenfreado, causando tanto problemas psicológicos, como a necessidade compulsiva de compra, quanto financeiros, como o endividamento, ao existir a ânsia obsessiva de trocar um produto recém adquirido por um lançamento, devido às mídias e ao status atingido com a obtenção de tal produto. Sob esse viés, uma pesquisa feita pelo Instituto Akatu aponta que 76% de 1090 pessoas entrevistadas, não são consumidores conscientes, ou seja, aqueles que por meio de seus atos de consumo tentam buscar o equilíbrio entre a sua satisfação pessoal e a sustentabilidade, mudando completamente seus hábitos compulsivos.

Concomitante a isso, quando o filósofo e sociólogo Zygmunt Bauman afirma que o problema não é consumir, e sim, o desejo insaciável de continuar consumindo, ressalta-se a obsessão pelo consumo, como forma de compensação, pelas longas horas de trabalho para pagamento de contas e dívidas que foram geradas a partir de aquisições desnecessárias ou por causa da mídia que é uma grande influência, especialmente na hora das compras. O foco da publicidade tem sido cada vez maior nas crianças, por serem mais vulneráveis à manipulações, contudo, são elas que têm mais impacto nas decisões da família, como ao decidir destinos de viagens, opções de entretenimento, almoços e jantares, entre outros diversos hábitos de consumo.

Dessa forma, fica claro que a falta de gerenciamento das finanças pessoais e o consumo irresponsável, também causado por influências midiáticas, é prejudicial para o comportamento consumista da sociedade. Sendo assim, cabe ao Ministério da Educação junto da Associação de Educação Financeira do Brasil promover palestras de economia doméstica para adultos e inserir aulas sobre educação financeira em escolas a partir do ensino fundamental, com a finalidade de orientar e tornar os consumidores mais responsáveis para poupar e economizar durante as compras .