Os hábitos de consumo no Brasil
Enviada em 13/04/2019
A possibilidade de produção em massa, advinda da Revolução Industrial, aumentou o volume de mercadorias em circulação, com isso, surgiu uma economia pautada nos moldes do liberalismo e do consumismo. Atualmente, no Brasil, em virtude do estímulo empresarial e da busca de autopromoção social, os hábitos de consumo ganham dimensões preocupantes.
Em primeiro plano, quando o filósofo Karl Marx apresenta o conceito de “Fetichismo da mercadoria”, afirma que ao obter determinados produtos, os indivíduos não buscam a utilidade desses, mas sim o status promovido por eles. Sob essa ótica, destaca-se o papel das redes sociais na configuração de um modelo de vida a ser seguido, uma vez que a exaltação de utensílios de grife e de marcas internacionais por famosos estabelece uma imagem de sucesso pessoal. Consoante ao Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), apenas 28% da população brasileira é consumidor consciente, desse modo, são necessárias iniciativas capazes de melhorar o comportamento desses acerca dessa problemática.
Em segundo plano, o estímulo das empresas ao consumo exacerbado também é um dos fatores agravantes desse impasse, já que com a obsolescência planejada - redução da vida útil de produtos eletrônicos ainda funcionais - a compra de novos itens cresce significantemente. Como consequência desse ato, a fabricação de mais aparelhos é estimulada, resultando na perpetuação de uma cadeia que, ao aumentar a produção de e-lixo, contamina o meio ambiente. Nessa perspectiva, medidas capazes de conscientizar a população precisam ser aplicadas, pois, segundo a Universidade das Nações Unidas, o Brasil é o país latino-americano que mais produz lixo eletrônico, em um total de 1400 toneladas por ano.
Portanto, com o objetivo de aprimorar os hábitos de consumo no país, o Ministério do Meio Ambiente deve, por meio das redes de comunicação, exibir propagandas acerca das maneiras que o consumismo atinge a natureza e, até mesmo demonstrar o descarte correto dos produtos, em busca da redução dos danos causados por esse empecilho. Ademais, cabe às escolas, com auxílio de profissionais competentes, elaborar projetos que visem o desenvolvimento da ideia de consumo consciente, destacando a importante diferença entre necessitar e desejar algo, com o uso de palestras e peças teatrais, pois, de acordo com o filósofo Sêneca, a educação gera influência por toda a vida.