Os hábitos de consumo no Brasil

Enviada em 12/04/2019

Fruto das relações historicamente constituídas, o modelo consumista, utilizando-se do poderoso instrumento midiático, intensifica a relação com objetos e minimiza a construção de laços humanos sólidos. Nesse contexto, a busca pela felicidade relaciona-se à realização dos “sonhos de consumo” e ao poder de compra do indivíduo, o que pode gerar a coisificação de pessoas, as relações por interesses financeiros e as frustrações.

Em primeiro lugar, nota-se que a Revolução Industrial trouxe diversas implicações ao modo de vida da sociedade. Esse processo confirma o pensamento de Augusto Cury que acredita na existência de uma sociedade de desejos e não de projetos existenciais. De fato, há uma obsessão por comprar objetos da moda para se sentir pertencente à comunidade. Assim, o ciclo consumista tem se perpetuado ao longo dos anos por meio de indivíduos que acabam gastando mais do que ganham e adquirindo dívidas incapazes de serem quitadas. Prova clara disso é que, de acordo com dados do SPC, apenas 30 em cada 100 brasileiros são consumistas conscientes. Dessa forma, uma ação eficiente contra isso seria a educação para o consumo.

A posteriori, esse modelo social conta com um poderoso aliado para controlar os valores que lhes são interessantes: a mídia. Conforme Jean Baudrillard, o instrumento midiático contribui para que a vida cotidiana passe a ser organizada através do consumo, basta ver como as crianças são influenciadas pelas propagandas de TV, sejam voltadas para brinquedos ou, até mesmo, para alimentos. Desse modo, qualquer valor humano, principalmente a felicidade, torna-se refém do consumismo. É essa ideologia que faz pessoas se submeterem a casamentos por interesse ou até a agressões em troca do poder de compra.

Portanto, a fim de melhorar os hábitos de consumo, faz-se necessário que o MEC, órgão responsável pelo planejamento educacional, promova, por intermédio de ferramentas pedagógicas e parcerias com as famílias dos alunos, uma educação voltada para o consumo consciente, que possibilite a dissociação dos valores humanos do poder aquisitivo. Ademais, o governo, associado à mídia, deve, por meio de políticas públicas, intensificar a regulamentação das publicidades, sobretudo a infantil, possibilitando a diminuição da influência midiática nos hábitos consumistas. Desse modo, seria possível a formação de indivíduos que enxerguem possibilidades de ser feliz menos influenciadas pelo ato de comprar.