Os hábitos de consumo no Brasil

Enviada em 21/04/2019

Na música “Se eu fosse rico”, gravada por Thiago e Graciano, é ironizada a questão de que para o “eu lírico” ser feliz, bastava uma casinha em Paris, um barquinho como o do Neymar etc., e que se fosse rico “passava o cartão feito louco por aí”, deixando uma marca clara da presença do consumismo. No entanto, reflexos e influências deste mal não estão presentes só no sertanejo, mas no funk (com a explícita ostentação) - além de filmes e outras meios. Utilizado como válvula de escape, este estilo de vida torna-se prejudicial, fazendo-se necessária uma intervenção para solucionar tal problemática.

Visto que no Brasil, apenas 3 a cada 10 pessoas são realmente consumidores conscientes (dados de uma pesquisa feita pelo Serviço de Proteção ao Crédito e a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas, SPC e CNDL, respectivamente), pode-se concluir que esta é realmente uma realidade preocupante. É impossível não relacionar o consumo impulsivo ao contexto em que vivemos e à contribuição da mídia. Por um lado, tem-se um mercado fervoroso que busca atrair cada vez mais clientes - e essa aquisição diz respeito a bens materiais, alimentação e até consumo de cultura, que muitas vezes são exagerados e sem necessidade, visando uma simples satisfação momentânea. Se a produção desde a Revolução Industrial passou a ser em massa, logo, as vendas também hão de ser. E para isso as empresas utilizam recursos persuasivos, alto marketing e um apoio massante das mídias, percebidas em propagadas televisivas, principalmente.

Porém, temos por outro lado, o consumidor, que independente da classe social se expõe a tais influências, mas aqueles que pertencem a classe mais pobre e desfavorecida acabam por afundar em dívidas e quando percebem, já estão sem controle financeiro. Isso se intensifica ainda mais com frases como “Liquidação”, “Descontos”, e sem dúvidas, a “Black Friday”, sendo levados pelo impulso a comprar sem necessidade. Nas palavras do revolucionário Simón Bolívar “Um povo ignorante é um instrumento cego da própria destruição”. Portanto, acima de tudo falta instrução e senso crítico à sociedade brasileira.

Por isso, são necessárias medidas que amenizem a vulnerabilidade das pessoas e ações negativas da mídia. Assim, cabe ao MEC garantir que nas escolas haja o debate em aulas com foco em desenvolver a criticidade, tais como a Filosofia e a Sociologia, bem como promover palestras para a família orientando sobre os perigos de frases de impacto em lojas, e auxiliando na gestão financeira familiar. Ademais, cabe ao Governo Federal instituir programas televisivos que contraponham ideias de que consumo é sinônimo de felicidade, e que o mesmo possa divulgar canais de educação que já façam esse trabalho. Desta forma, as raízes do consumismo podem ser aos poucos arrancadas.