Os hábitos de consumo no Brasil
Enviada em 12/04/2019
As amarras liberais
Segundo o liberalismo econômico de Adam Smith, o mercado deve ser livre de qualquer intervenção do Estado, pois este é capaz de se regular sozinho. Todavia, o consumo exagerado causa déficit no Produto Interno Bruto (PIB) do país, uma vez que o endividamento da população trava a circulação da moeda. Diante disso, é preciso observar que a falta de conhecimento sobre finanças e a imposição do consumo como porta de entrada para a aceitação social são agravantes para essa problemática.
Mormente, é imprescindível analisar que, com a abertura econômica, na década de 1990, a sociedade brasileira tornou-se mais consumista, em virtude da acessibilidade aos produtos. Entretanto, quando essa ação alia-se à falta de consciência e instrução, torna-se um problema social e econômico, já que aumenta o endividamento e inadimplência no país. Dessa forma, fica evidente que o livre comércio associado à ignorância torna a economia individual deficitária, o que em grande número, paralisa o desenvolvimento da nação, uma vez que diminui os créditos do mercado.
Outrossim, é importante ressaltar que a necessidade de aceitação contribui para o consumo exacerbado no Brasil. Nesse sentido, pode-se ratificar a teoria do “habitus” de Pierre Bourdieu, pois esta afirma que pessoas da mesma classe social exibem valores culturais parecidos, de forma que há certa incompreensão e até negação de hábitos diferentes. Em face a isso, adquire-se produtos e serviços com o intuito de se portar “adequadamente” àquele meio e por ele ser aceito. Em virtude disso, a sociedade acaba por criar uma ideologia de que é preciso “ter para ser”, e por conseguinte, cada vez mais pessoas compram mais do que podem, e acabam se afundando em dívidas.
Destarte, está claro que a falta de conhecimento financeiro junto às imposições sociais corroboram o consumo exagerado e devem, portanto, ser combatidos. Tal feito se dará por meio do Ministério de Educação (MEC), que precisará inserir o tópico de economia nas matérias de Geografia e Sociologia, às quais deverão ter aulas voltadas para a educação de ciências econômicas, para que os jovens saiam das escolas previamente preparados para lidarem com o mercado. Ademais, é viável que o Poder Legislativo crie leis que obriguem os bancos a imporem um limite de endividamento dos clientes, para que os consumidores tenham maiores chances de controlarem os danos, haja vista que essa medida é mais efetiva do que mudar toda a mentalidade capitalista da civilização. Feito isso, o Brasil poderá diminuir a inadimplência de seus cidadãos e assim, consumir de forma inteligente.