Os hábitos de consumo no Brasil

Enviada em 12/04/2019

Na historiografia e na contemporaneidade, após revoluções que promoveram alterações no perfil econômico e social da sociedade, como a Revolução Industrial e a Técnico-científica, observa-se que houve, consequentemente, uma transformação nas relações de consumo da população, que denomina a chamada sociedade do consumo, fortemente influenciada pelos meios de comunicação em massa. Com a população brasileira não é diferente, de acordo com pesquisas realizadas pelo Instituto Akatu, 76% dos 1.090 entrevistados não praticam o consumo consciente, realizam compras por impulso e não pela necessidade, o que pode ser motivado por sensações de felicidade e prazer momentâneo e pelo resultado da influência de propagandas abusivas.

É licito referenciar o filósofo Theodor Adorno em suas reflexões sobre a indústria cultural: de acordo com o autor, o trabalhador, após sua jornada de trabalho, procura satisfazer-se, procura nas diversões e no consumismo uma forma de compensação das horas “sofridas” e pesadas em seu trabalho, o que acarreta nas compras desenfreadas, motivadas pelos cartazes de propagandas e comerciais, em que podemos observar “pessoas com sacolas nas mãos e um belo sorriso”. De acordo com um estudo do Serviço de Proteção ao Crédito e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas, cerca de 3 em cada 10 consumidores no Brasil consideram as compras como o tipo de lazer favorito, admitindo que comprar é uma forma de reduzir o estresse do cotidiano, fato que deve ser regulado, pois muitas pessoas endividam-se devido à falta de planejamento financeiro e de prioridade de despesas.

Deve-se abordar, ainda, que o consumismo apresenta uma outra face: o consumismo infantil. Quando os produtos são associados a brindes, a personagens famosos ou a campanhas de publicidade que focam em despertar a atenção das crianças, os pequenos conseguem facilmente influenciar a decisão dos pais, especialmente em datas comemorativas. Tal fator contribui significativamente para o aumento do consumismo, enraizando padrões de comportamento que, no contexto social brasileiro, ajudam a  acentuar as diferenças de classes no país.

Dessa forma, faz-se necessário propor medidas que visem frear o consumismo desenfreado entre a população brasileira. Para tanto, a família e as instituições de ensino básicas possuem um papel de grande importância, pois é fundamental que o gerenciamento das finanças pessoais e o consumo responsável sejam ensinados desde cedo às crianças, para que, assim, possamos ter consumidores mais conscientes e que saibam tomar decisões corretas durante as compras, o que é melhor não só para a saúde financeira, mas para a sociedade como um todo.