Os hábitos de consumo no Brasil

Enviada em 21/04/2019

Sociedade de consumo

No filme Os Delírios de Consumo de Becky Bloom, a personagem Rebecca chega a possuir 12 cartões de crédito e compra muito além da sua capacidade de solvência. Apesar da sensação primária de felicidade pelo bem adquirido, logo em seguida vem a frustração e arrependimento acompanhado de dívidas. Essa é a triste realidade vivida por muitos brasileiros que engrossam as listas de negativados em órgãos de restrição de crédito e trás o desafio de como combater esse fenômeno em terras tupiniquins.

O consumo faz parte das relações humanas como elemento sócio estrutural e consiste na aquisição de bens essenciais a sobrevivência. É elemento tão antigo que teve origem na Pré-história, mais precisamente durante o período Neolítico (cerca de 12.000 anos atrás), quando os clãs usavam o escambo para diversificar seus itens agrícolas. Mas as relações mudaram e a partir da Revolução Industrial deu-se lugar a cultura da compra desnecessária para adquirir a imensa oferta de produtos decorrente da produção em massa instaurando assim o fenômeno do consumismo.

Como vislumbra o sociólogo Zigmund Bauman, a lógica consumista se estende a formação da identidade e da personalidade dos indivíduos. As redes sociais são verdadeiras vitrines onde as pessoas expõem o que comem, o que vestem, que produtos usam, em busca de curtidas, ou seja, as pessoas consomem e querem ser consumidas. Destarte, a expansão do acesso ao crédito às classes sociais menos favorecidas aliada a busca do ser humano pra se conectar ao atual, provocou o progressivo endividamento da população. Isso se deve a valorização de padrões de comportamento socialmente estabelecidos que leva pessoas comuns a utilizarem o cartão de crédito como extensão do salário na compra de produtos que permitam agregar valor a si mesmo tornando-se mercadoria em busca de aceitação no mercado da sociedade atual.

Por fim, a mudança comportamental e a reconquista da saúde financeira passa pelas salas de aula. É dever do governo atuar por meio do Ministério da Educação fixando a disciplina de noções de economia doméstica na base nacional curricular. À medida que são aplicados ensinamentos sobre o bom uso do dinheiro e a prática da poupança a partir da primeira idade, busca-se em médio e longo prazo a formação de jovens conscientes da diferença entre custo e valor. Já como ação imediata, campanhas nacionais de conscientização financeira com ampla divulgação em outdoors, rádio, Tv e redes sociais dão conta de alertar os adultos sobre a importância das práticas de educação financeira no cotidiano resultando em nome limpo e consciência tranquila todo final de mês.