Os hábitos de consumo no Brasil

Enviada em 14/04/2019

Nas décadas de 1950 e 1960, JK desenvolveu o Plano de Metas. Com o slogan “50 anos em 5”, estimulou a rápida industrialização nacional, principalmente, dos bens de consumo duráveis, como automóveis e eletrodomésticos. Nesse contexto, a fim de garantir a rotatividade da mercadoria, o então presidente aumentou o poder de compra da população, por exemplo, com o fornecimento de linhas de crédito. Todavia, ao longo do tempo, o hábito de consumir tornou-se exagerado e desnecessário, seja pelo estímulo das vias midiáticas, seja pela carência de uma educação financeira.

Em primeiro plano, destaca-se que a mídia impulsiona o consumismo. No fetichismo de mercadoria, conceito cunhado por Marx, o produto torna-se autônomo em relação à vontade humana. Nesse viés, a produção é maior que o imprescindível para a subsistência e o objeto configura-se como tão importante para a sociedade capitalista, que passa a dominá-la. Provas disso são as propagandas de televisão que manipulam o comportamento do consumidor, de modo a incitá-los à compra, mesmo quando não há necessidade real daquilo. Dessa forma, os veículos midiáticos propagam o dito fetiche, o que gera, em muitos, endividamentos dispensáveis. Cabe, portanto, ao CONAR analisar atitudes abusivas nas publicidades e impedi-las.

Ressalta-se, ainda, que há falha educacional no que tange ao consumo da sociedade. A escola prioriza aspectos conteudistas, obrigatórios no currículo, em detrimento da preparação de um indivíduo crítico, apto a conviver em sociedade. Sob essa ótica, confronta-se com a ideia do professor emérito da USP José Arthur Gianotti, a qual salienta a relevância de não se formar apenas uma massa trabalhadora, mas uma nação com capacidade de pensar. Por conseguinte, como não há uma educação financeira desde a infância, na maioria das vezes o consumo é realizado sem planejamento, parcelado em inúmeros meses, com juros abusivos. Logo, paga-se de forma superfaturada por um bem que, em certas circunstâncias, já se tornou obsoleto na época da quitação.

Torna-se, pois, evidente, que o consumismo é fruto da influência dos meios de comunicação e do descaso das instituições de ensino. Para mitigá-lo, é imperativo que a escola, ciente de sua importância formadora, promova discussões sobre educação financeira com os discentes, com o fito de orientá-los a obter criticidade nas compras. Tal ação deve ser concretizada por meio do estímulo à economia doméstica, na qual o próprio aluno, após entender como economizar, leva à família a proposta do planejamento dos hábitos de consumo, de forma a guardar uma parcela mensalmente para gastos emergenciais. Assim, não mais serão necessárias linhas de crédito, já que a própria população terá controle sobre os gastos.