Os hábitos de consumo no Brasil
Enviada em 15/04/2019
Segundo a doutrina Calvinista, o sinal da salvação divina é a prosperidade econômica. Assim, seguindo os preceitos de Calvino, os ingleses iniciaram a Revolução Industrial, idealizada por uma burguesia sedenta por lucro e consumo. Contudo, mais de dois séculos depois, o consumismo tornou-se um dos grandes problemas socioeconômicos da atualidade. No brasil, estratégias como fetichismo mercadológico e obsolescência programada têm causado sérios danos à nossa população, despreparada e inerte às artimanhas da quarta revolução industrial.
Primeiramente, no que tange ao encantamento causado pela mercadoria sobre o consumidor, esse foi apontado por Karl Marx como um dos problemas sociais nos quais o ônus recai sobre as classes mais baixas. E é, certamente, uma das causas da onda de endividamento com a qual vêm sofrendo os brasileiros, principalmente os das classes C, D e E. Já que, nessas, o impulso irracional pela compra, fomentado nos diversos canais de mídia, não condiz com o padrão salarial.
Ainda, corroborando com o desejo de comprar, o capitalismo ganhou, com as novidades tecnológicas, uma aliada poderosa: a necessidade de trocar, ou seja, a obsolescência programada. Um meio de abreviar o funcionamento de equipamentos, principalmente eletrônicos, os quais são dispensados e o consumidor “forçado” a comprar novamente. Dessa forma ficando o já marginalizado cidadão brasileiro ainda mais comprometido financeiramente.
Assim sendo, visto a “ingenuidade financeira” dos brasileiros, fica clara a urgência informar essas pessoas, formando, assim, cidadãos economicamente ativos mais resistentes aos atrativos do mercado. Desse modo, a curto prazo, os bancos e credores poderiam fomentar não só a renegociação individual das dívidas, mas também a criação e divulgação de cursos de economia gratuitos. Já a longo prazo, o Estado, via Ministério da Educação, deve acrescentar à educação infantil a disciplina de educação financeira, formando consumidores mais racionais.