Os hábitos de consumo no Brasil

Enviada em 15/04/2019

Com o advento da Revolução Industrial.no século XVIII, o consumo passou a ocupar um lugar importante na sociedade. Isso se deu porque o trabalhador, que até então era rural e não tinha renda fixa, passou a trabalhar nas fábricas tendo um salário garantido e, consequentemente, a possibilidade de adquirir produtos que, antes, eram inviáveis. Porém, com o passar do tempo, devido às facilidades de crédito e, também, a influência da mídia esse consumo foi aumentando e, em alguns casos, seja por dificuldade de controle das finanças ou por problemas psicológicos que resultam em uma compulsão, de maneira exagerada ocasionando o real problemas que é o consumismo.

Primeiramente, é importante atentar-se à uniformização da moda através da mídia que é a principal causa do consumismo. George Orwell, pseudônimo do escritor inglês Eric Arthur Blair, afirmou que: “A massa mantém a marca, a marca mantém a mídia e a mídia controla a massa” e apesar de ter falecido em 1950, sua frase expressa perfeitamente a realidade contemporânea. Em um mundo dominado pelas mídias sociais, um produto divulgado por uma celebridade ou por grandes emissoras de televisão tem sua procura aumentada, de acordo com um estudo realizado pela Sproud Social, 74% das pessoas se orientam pelas redes sociais para fazer uma compra. Evidencia-se então, uma relação interligada onde a mídia e as grandes marcas são, claramente, beneficiadas e o consumidor, alienado pela propaganda, é induzido a consumir produtos que não lhe são necessários.

Consequentemente, o consumo de objetos de determinadas marcas se torna um requisito para se sentir incluído em determinado grupo social. Isso acaba gerando pessoas endividadas (de acordo com dados do Serviço de Proteção ao Crédito -SPC- aproximadamente 63 milhões de pessoas estariam endividados em agosto de 2018 no Brasil) devido à compra desnecessária e, na maioria das vezes, parcelada no cartão de crédito de produtos famosos. Ademais, em pessoas que já sofrem com a compulsão de comprar o problema é intensificado, pois, além de proporcionar o alívio do estresse e da ansiedade, o consumismo passa a ser, também, a porta para uma falsa sensação de inclusão social. Além disso, as camadas mais pobres da população são ainda mais excluídas visto que não tem acesso a esses bens de consumo “inclusivos”.

Portanto, é necessário que haja conscientização do consumidor através da educação financeira, tanto pela escola, quanto pela família, mostrando como fazer planejamentos e controlar gastos com cartão de crédito. Também é importante que o Estado, além de regulamentar o impacto das propagandas, com o intuito de diminuir a compulsão que algumas pessoas têm de comprar, invista em acompanhamento psicológico, visando desassociar as compras do alivio de estresse e ansiedade.