Os hábitos de consumo no Brasil
Enviada em 15/04/2019
A Pop Art, nos anos 1950, surge como um questionamento dos apelos abusivos da sociedade de massa. Longe do campo figurativo, ao analisar a hodierna cultura do consumo imprudente presente no Brasil, observa-se a atualidade das críticas outrora feitas pelo movimento artístico americano. Nesse contexto, é imprescindível fomentar a consciência crítica, bem como combater a ausência de educação financeira na maioria das escolas para a mitigação dos efeitos nocivos dessa problemática.
A princípio, convém pontuar o papel da propaganda nesse processo. Com efeito, a partir da adoção de estímulos psicoemocionais, atribuindo à compra o símbolo de felicidade e aceitação social, a publicidade desenvolve o sentimento de necessidade em consumir além do essencial para a sobrevivência. Sob esse viés, os teóricos da Escola de Frankfurt, Theodor Adorno e Max Horkheimer, criaram o conceito de “Indústria Cultural” para criticar a atuação nefasta das empresas publicitárias no incentivo do consumo irresponsável. Sendo assim, enquanto a postura crítica do indivíduo for diminuta diante dos apelos comerciais, a tese dos pensadores frankfurtianos será ratificada.
De outra parte, é indubitável que a frágil alfabetização econômica reforça a permanência desse quadro problemático. Embora o ensino brasileiro disponha desde 2010 da Estratégia Nacional de Educação Financeira(ENEF) - a qual visa levar atividades teóricas e práticas de planejamento orçamentário para crianças e adolescentes- , a sua implementação e difusão mostram-se insuficientes, haja vista que somente um número restrito de escola dispõem desse projeto. Em contrapartida, aumentam o número de inadimplentes, segundo o Serviço de Proteção ao Crédito, situação que poderia ser amenizada caso houvesse, já na infância, a fomentação do consumo consciente. Desse modo, é fundamental o reforço de programas que buscam mitigar esse cenário.
Urge, portanto, a necessidade da adoção de medidas para a mudança dos maus hábitos de consumo no Brasil. Para isso, cabe ao Ministério da Fazenda promover a reeducação financeira da população brasileira, por meio de parcerias público-privadas com entidades ou profissionais que trabalhem com esse tema, a exemplo da jornalista Nathália Arcuri do canal no “You Tube” “Me poupe”, para a produção de materiais audiovisuais e propagandas, veiculados na televisão aberta e na internet, que abordem economia doméstica com linguagem simples e descontraída. Paralelamente, o Ministério da Educação, associado ao Legislativo Federal, deve estimular o estudo de finanças nas escolas públicas e privadas, por intermédio de medidas legislativas que garantam a criação de uma disciplina obrigatória com as diretrizes da ENEF. Essas medidas têm o objetivo de fomentar um vida financeira saudável. Aumentam-se, assim, as chances de construir uma sociedade harmônica.