Os hábitos de consumo no Brasil

Enviada em 14/04/2019

Consoante a Carlos Drummond de Andrade nos versos “[…] Meu blusão traz lembrete de bebida / que jamais pus na boca, nesta vida. […]”, do poema “Eu, Etiqueta”, retrata poeticamente o cenário de consumismo que o corpo social hodierno está inserido. Tal paradigma mostra-se contumaz na sociedade, desencadeando uma exponencial intensificação do quadro em questão. Ademais, essa problemática transfigura-se preponderante à acentuação da disparidade situacional entre classes sociais no âmbito vigente.

“A priori”, faz-se necessário ressaltar que consumismo se define como o ato de consumo em excesso. Tal prática mostrou-se predominante na sociedade com o advento da consecução das Revoluções Industriais, fator iniciado na Europa nos séculos XVIII e XIX. Isso tornando-se deveras estigmatizado no construto sócio-histórico pela globalização, em que condicionou a veiculação desse setor no âmbito global. Destarte, é incontestável que a prática consumista, na sociedade brasileira, compreende raízes profundas com influências internacionais. Posto isso, é bastante perceptível que a exacerbada aquisição de produtos supérfluos ocasiona um desenvolvimento contraproducente ao plano social do pais, potencializando a evolução de problemas multifatoriais à determinada comunidade.

“A posteriori”, convém mencionar que a prática abundante de compra não oferece benesses ao consumidor, pois corrobora substantivamento ao amplo endividamento. Tal problemática apresenta-se constante na coletividade pelo errôneo ideal de felicidade e satisfação promovido pelo produto, sensação comportamental efêmera logo substituída pela aquisição de outro item, produzindo um ciclo reincidente, como retrata o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, em sua obra “Modernidade Líquida”. Dessa maneira, é indubitável que a manipulação de um elevado contingente populacional é facilmente difundida em um contexto em que o empreendedorismo e a educação financeira são elementos abstinentes, sendo execrável à estabilidade econômica em massa.

Diante disso, ações são basilares à reversão desse cenário dantesco. Portanto, é imprescindível que a instituição familiar promova uma menor utilização dos veículos de informação, assim como a indústria cultural que incentivam o consumo em larga escala, por intermédio de palestras educacionais de sensibilização sobre o assunto em locais públicos, com o intuito de atenuar gradativamente o consumo excessivo. Concomitantemente, urge uma educação financeira efetiva e transversal no tocante educacional, perante o Ministério da Educação, mediante o ensino interdisciplinar com profissionais qualificados, com a finalidade de asseverar melhores condições econômicas a um expressivo universo populacional. Desse modo, a lógica de Drummond tornar-se-á diminuta na contemporaneidade.