Os hábitos de consumo no Brasil

Enviada em 14/04/2019

Liberdade Coercitiva

No livro “O Cortiço”,de Aluísio de Azevedo, retrata-se o grande poderio em que o meio exerce sobre as pessoas, influenciando seus comportamentos e padrões. Analogamente, na atual conjuntura vivenciamos um cenário composto por indivíduos que atuam como fantoches, tendo seus gostos deturpados e induzidos pela indústria capitalista, que tem como um dos seus pilares a cultura do consumismo. Essa ferramenta atua como protagonista na construção de falsos desejos e necessidades da população, orquestrando e fomentando a formação de uma sociedade unidimensional.

A revista norte-americana “Newsweek” publicou em 2016 uma matéria que relatava a ligação entre a influência das mídias e propagandas num determinado panorama e o aumento de casos de oneomania, doença que faz o indivíduo ter compulsão por compras, sendo mais corriqueiro em países como Estados Unidos, que evidencia um modelo econômico e estrutural bastante voltado para o consumo em massa. Esses fatores são oriundos da ideia de que obter tal produto trará consequências extraordinárias para a vida do consumidor como inclusão em determinado grupo social, melhoria na autoestima e uma efêmera felicidade. Pensamentos como esses, foram implantados e semeados por meio de campanhas com textos injuntivos na mente de um cidadão desprovido de senso crítico.

No livro “Ensaio sobre a cegueira” de José Saramago é relatado uma sociedade que paulatinamente se torna cega. Não dissonante da literatura, o âmbito nacional contribui em termos figurativo para aparição desse quadro, pois segundo uma pesquisa realizada pelo Instituto Akatu em julho de 2018,mais de 76% dos brasileiros não praticam consumo consciente, em que uma parcela desse grupo alega comprar para minimizar o estresse,além do fato de que mais de 30% dentre esses assumiram ter dívidas sem que houvessem previsões para sanar.

Infere-se, portanto, que atenuar tal problemática é imprescindível a atuação do Ministério da Educação que unido a esfera estadual e municipal, forneçam aos discente, por meio de palestras e jogos interativos nos colégios, uma educação financeira e social dotada de criticidade para que o individuo saiba diferenciar o que de fato é necessário do dispensável que o aliena. Também é imprescindível atuação de ONGs como APAE( Associação de Pais e Amigos Excepcionais) que por meio de campanhas e reuniões nos bairros e instituições de ensino, enfatizem e instiguem o perfil do consumidor consciente, fragmentando assim o conceito de ter/ser e formando cidadãos minimalistas em termos de consumo, que possam adquirir o essencial de modo inteligente, pois como dizia Saramago “se pode olhar, vê;se podes ver, repara”.