Os hábitos de consumo no Brasil

Enviada em 14/04/2019

Byung-Chul Han, filósofo sul-coreano, afirma que uma das características da pós-modernidade é a substituição das relações interpessoais pelas relações de consumo. Nesse sentido, constata-se que o Brasil não escapa às tendências da época, na medida em que, por fatores culturais e econômicos, a exacerbação do consumismo é um dos principais dilemas enfrentados pelos indivíduos.

Em primeiro plano, ressalta-se uma cultura da aparência, que toma a posse e diversidade dos bens materiais como índices de sucesso. Ter o celular da moda ou o carro do ano seriam, segundo este pressuposto, indispensáveis como elementos de afirmação do sujeito diante do grupo: simular riqueza -ainda que paga à prazo- encenaria uma posição de poder diante dos pares. Desta forma, cria-se a falsa igualdade entre felicidade e consumo, lugar-comum amplamente divulgado pelas mídias e incorporado por diversos setores da sociedade: o antídoto ao mal-estar existencial e à tristeza  consistiria em ir às compras. Tal comportamento é corroborado entre os jovens por pais que, como compensação pelo pouco tempo de qualidade que desfrutam junto a seus filhos, fazem questão de dar-lhes os eletrônicos mais modernos. Mantém-se, assim, um círculo de vicioso: as pessoas, alienadas umas das outras, compensam sua falta de intimidade com o consumo, que, por sua vez, obriga-as a trabalharem mais para suprirem o endividamento gerado por aquisições, alienando-as ainda mais de relações profundas.

Paralelamente, e em decorrência do exposto acima, segundo dados do portal R7, de 13/09/2018, aproximadamente 1/3 dos brasileiros está endividado. Por um lado, a sensação de facilidade proporcionada pela compras parceladas mascara, muitas vezes, um sobressalente significativo em relação ao custo à vista. Complementarmente, a crise econômica dos últimos anos, com a consequente extinção de inúmeros postos de trabalho, significou a eliminação da possibilidade da quitação de dívidas, principalmente entre os membros das classes C, D e E, lançados na informalidade econômica. Como consequência macroeconômica, a falência da economia baseada em crédito reforça o panorama de desaceleração produtiva e a exploração a que estão expostas os cidadãos de renda mais baixa.

Por conseguinte, urge que o Governo Federal, por meio do Ministério da Educação, promova campanhas de conscientização entre o público escolar, a fim de instrumentalizá-lo com o cabedal filosófico e linguístico necessário à análise crítica do discurso midiático. Adicionalmente, o tema da educação financeira e noções elementares de macro e microeconomia devem ser incorporadas como temas transversais ao estudo da matemática no ensino médio, proporcionando aos cidadãos em formação maiores possibilidades de reflexão sobre suas ações. Desta forma, tornar-se-á evidente que o consumo não é a mais importante entre as relações humanas, reforçando o que afirma Han.