Os hábitos de consumo no Brasil

Enviada em 14/04/2019

O autor Gilles Lipovetsky afirma que incessantes inovações e uma constante busca pelo novo são os pressupostos da sociedade moderna. Desse modo, é possível afirmar que imediatismo e hedonismo passaram a exercer forte poder sobre os hábitos de consumo de grande parte dos brasileiros. Roupas e celulares novos se tornaram mais importantes do que um saldo positivo na conta bancária no Brasil, seja por influência midiática, seja influência social.

A priori, as mídias têm forte participação na estruturação dos hábitos de consumo dos brasileiros. No trecho “não importa se meus filhos não terão educação, eles têm é que ter dinheiro e visual” da música Sonho Médio de Dead Fish, é possível perceber o retrato de muitos cidadãos brasileiros, uma vez que, atualmente, ostentar um celular de nova geração ou uma roupa de marca se tornou sinônimo de felicidade, pois são inúmeras as novelas, os clipes musicais e os filmes exaltando que hábitos como sair todo final de semana e comprar roupas todo mês trazem felicidade. Além disso, são muitos os artistas que fazem intensa propaganda de suas roupas e produtos, influenciando suas centenas ou milhares de seguidores a consumi-los também.

Ademais, os hábitos de consumo do Brasil encontram-se interligados com a formação de relações sociais. Zygmunt Bauman fez a afirmação “consumo, logo existo” e, em consonância com seu raciocínio, o ato de comprar deixou de ser uma escolha para se tornar uma necessidade. E, assim, o materialismo se tornou também fator decisivo na construção de amizades e namoros, levando inúmeras pessoas a sofrer distúrbios como ansiedade, depressão e oniomania, pela intensa pressão para adquirirem inovações.

Portanto, medidas devem ser tomadas para resolver o impasse. Urge que o MEC forneça subsídios para que as escolas possam realizar atividades lúdicas, como feiras culturais, visando explanação das consequências do consumismo exagerado – para as pessoas e para o meio ambiente –, a fim de que as crianças compreendam o resultado de um comportamento descontrolado na hora das compras.