Os hábitos de consumo no Brasil
Enviada em 15/04/2019
A estabilidade inflacionária decorrente de medidas econômicas adotadas após o período ditatorial, como o Plano Real, foram de extrema importância para a expansão do poder de compra do brasileiro. Com isso, classes sociais historicamente marginalizadas como as classes C, D e E entraram no grupo dos consumidores exacerbados, ressaltando uma prática cultural nacional potencialmente danosa. Baseado nisso, a desabilidade da população em relação à educação financeira, bem como a expansão de linhas de crédito são fatores que contribuem para hábitos de consumo irresponsáveis no Brasil. Em primeira instância, destaca-se as confabulações do sociólogo Zygmunt Bauman aplicadas à realidade nacional atual. Em sua obra, “Vida Para o Consumo”, o polonês exalta a relevância da compra e do status financeiro como formadores da personalidade dos indivíduos. No processo de construção de identidades, baseada na liquidez das relações, há a transformação de pessoas em mercadorias, com o culto ao “eu”. Essa realidade é evidenciada na expansão do individualismo e na revogação do pensamento de estruturação coletiva, em que o consumo torna-se um meio para o enaltecimento de posições sociais e também para o preenchimento de vínculos pessoais ausentes.
Outrossim, deve-se evidenciar a precariedade da educação financeira no ensino público. Segundo dados da OCDE - Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico - o Brasil encontra-se na vigésima sétima posição entre trinta países na avaliação de conhecimento de temas financeiros e planejamento das populações. Desse modo, é revelado a distância em relação à realidade econômica, o que contribui para a adoção de práticas imprudentes buscando a satisfação pessoal e material.
Igualmente, ressalta-se o papel do crédito como fator na sociedade de consumo. Apesar dos juros extorsivos cobrados pelas instituições financeiras, a contratação de empréstimos e expansão do crédito através de cartões e cheques especiais, é cada vez mais comum que os brasileiros utilizem de tais meios para sustentar seus hábitos de compra e satisfação de seus próprios objetivos. Contudo, é também comum que, pela falta de instrução e pelos gastos além dos ganhos salariais, a população adentre rumo ao endividamento excessivo, o que desfavorece a balança comercial nacional.
É notório, portanto, o exagero e a irresponsabilidade coletiva ocasionada principalmente pela da falta de instrução e pelo meio social coercitivo. Cabe, dessa forma, ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, órgão vinculado ao Ministério da Educação, a adoção de melhorias na grade curricular que englobem a educação financeira, por meio de aulas coletivas e do incentivo ao discernimento sobre hábitos de consumo conscientes e sustentáveis desde o princípio da formação. Bem como, a adoção da desmistificação cultural suprimindo a noção da necessidade material para o enriquecimento pessoal.