Os hábitos de consumo no Brasil
Enviada em 14/04/2019
O consumo compulsivo, no Brasil, tornou-se um hábito, o qual arraigou-se na cultura brasileira, embora muitas pessoas fiquem endividadas. Assim, a compra em demasia trouxe uma falsa satisfação para as pessoas, as quais muitas desenvolvem a oniomania, um transtorno causado pela necessidade de compra e adquirem diversas dívidas em bancos, mediante empréstimos, para gastarem cada vez mais. À vista disso, infere-se que tal problemática é inerente à facilidade de obtenção de crédito e à falta de educação de consumo.
A priori, conforme o livro “Capitalismo Parasitário”, do sociólogo Zygmunt Bauman, o sistema bancário cria um ciclo vicioso, o qual a pessoa obtém crédito para compras e depois adquire mais crédito para pagar suas dívidas. Dessa forma, os indivíduos acabam por sentir uma falsa prosperidade econômica influenciada por um sistema, o qual induz a pessoa a contrair despesas que não pode pagar e tornam-se dependentes do aparato bancário. Nesse âmbito, as oportunidades de obtenção de crédito promovem, cada vez mais, as pessoas a entrarem nesse ciclo vicioso de défices, as quais, muitas vezes, ignoram as pessoas ao seu redor pelo fato de criarem uma obsessão pelo consumo. Portanto, as ferramentas facilitadoras de crédito tendem a criar um hábito parasitário nos indivíduos.
Outrossim, durante o governo Vargas, no século XX, o sistema industrial cresceu de forma exponencial, no Brasil, o qual fornecia, cada vez mais, produtos para o consumo da população. Dessarte, a grande oferta de produtos e as estratégias midiáticas de propaganda, como comerciais e produtos em telenovelas, influenciam os cidadãos ao consumismo. Isto posto, o despreparo das pessoas e a ilusão fornecida pela indústria de consumo leva o cidadão a buscar o consumo compulsivo, para satisfazer a necessidade de obter os produtos veiculados nas propagandas. Por consequência, a supressão de bons costumes de consumo, ocasiona em uma ausência de critério do consumidor, entre o que é vital e supérfluo.
Por conseguinte, para que o consumo consciente seja valorizado e o crédito seja um fator facilitador da vida do consumidor sem prejudicá-lo, são necessárias mudanças estruturais. Com isso, cabe as Instituições Financeiras, por meio de regulamentações, a criação de um processo seletivo mais ríspido para a obtenção de empréstimos, o qual verifique o histórico de dívidas do indivíduo e sua frequência de consumo, afim de que possa haver uma seleção mais clara das pessoas que possam adquirir crédito. Ademais, assiste ao Ministério da Educação, por intermédio de diretrizes educacionais, a criação de palestras, as quais busquem elucidar os jovens sobre o consumo consciente e a priorizarem as necessidades vitais, para que haja uma geração futura mais cônscia.