Os hábitos de consumo no Brasil
Enviada em 15/04/2019
No período entre o pós-crise de 1929 e a Guerra Fria, os Estados Unidos alcançaram seu apogeu econômico com o “American Way of Life”, padrão de comportamento pautado no consumismo, ou seja, na aquisição de bens materiais como forma de proporcionar a realização pessoal e alcançar a felicidade. Nesse contexto, a “Política de Boa Vizinhança”, firmada com o Brasil, exportou esse estilo de vida à medida que ocorria a entrada de produtos domésticos americanos e a abertura de linhas de crédito no país. Assim, é evidente que os hábitos de consumo dos brasileiros são diretamente influenciados por essa prática até hoje.
Em primeiro lugar, cabe pontuar que o modelo socioeconômico vigente prioriza o lucro e a acumulação de riquezas. De acordo com Karl Marx, no sistema capitalista ocorre o que ele denomina de “fetichismo da mercadoria” em que os valores de troca são superiores aos de uso. Prova disso, são os principais desejos de compra dos brasileiros apontados pelo SPC Brasil: viagens internacionais, carros e cirurgias plásticas. Dessa maneira, os consumidores tendem a concentrar bens muito além da necessidade de sobrevivência.
Ademais, a indústria cultural contribui para a planificação da cultura e consequente padronização do comportamento. Segundo Adorno, ela atua mediante os meios de comunicação de massa, os quais adaptam os produtos ao consumo das pessoas. Isso é demonstrado pela “Pesquisa Interscience” do Instituto Alana em que a propaganda de TV é o fator determinante para influenciar as crianças na hora de comprar. Logo, os objetos de desejo das pessoas passam a ser os mesmos ao passo que a mídia reforça padrões e molda o consumidor desde a infância.
Infere-se, portanto, que providências estatais devem ser tomadas a fim de mitigar o quadro atual. Para a formação de consumidores conscientes, ou seja, que levam em consideração fatores ambientais, financeiros e sociais no ato de comprar, o Ministério da Educação deve adicionar à grade curricular das escolas a educação financeira. Dessa forma, os colégios poderão realizar aulas e atividades voltadas à economia doméstica, a fim de estimular o planejamento de gastos pessoais dos alunos. Com essa medida espera-se melhorar os hábitos de consumo no Brasil nos próximos anos.