Os hábitos de consumo no Brasil

Enviada em 15/04/2019

Com o advento da Primeira Revolução Industrial, a fabricação massiva de manufaturados atingiu patamares nunca antes alcançados. A produção em massa passou a ser a engrenagem do sistema capitalista nascente, como bem ilustra Charles Chaplin no filme “Tempos Modernos”, em que o tempo vivido é o tempo da produção e não o da vida humana tudo em prol do consumo. Conquanto, esta situação nos dias atuais ainda é um problema preocupante sobretudo porque o consumismo atual atua nas esferas midiáticas causando impactos comportamentais e psicológicos nos consumidores.

A princípio, por trás da palavra “consumismo”, vê-se que não se trata somente de comprar em demasia, envolve também uma questão psicológica trabalhada principalmente pelos veículos publicitários. Propagandas são feitas com o intuito de atrair mais pessoas e,para isso, atrelam o ato de comprar à ilusão de felicidade e realização. Além disso, a publicidade estimula os consumidores a trocarem constantemente os produtos a fim de acompanharem as novidades do mercado seguindo, assim, alienadamente, a lógica da obsolescência programada, em que novas mercadorias sempre são postas no mercado e essas são programadas com durabilidade já pré-determinada, para que os consumidores retornem logo ao mercado de consumo.

Deste modo, a consideração do escritor português José Samarago é bem atual, em que ele afirma “Há uma cultura da banalização. Tudo é banal,tudo está sujeito ao consumo”, em que o essencial, que são os recursos naturais, não escapam das garras da cultura da banalização, uma vez que hábitats de espécies que nem sequer foram catalogadas e ecossistemas clímax são destruídos para atender a demanda crescente de produção. E esse modo inconsciente de consumir e descartar da sociedade contemporânea não leva em conta o dano causado ao ecossistema global do qual os humanos também fazem parte e são afetados. De acordo com o secretário geral da Organização das Nações Unidas (ONU) “Todos os anos mais de 8 milhões de toneladas de plásticos são jogados nos mares”, que causam a morte de milhões de peixes e outros organismos marinhos, prejudicando toda a teia alimentar dependente.

Portanto, indubitavelmente, medidas são necessárias como a oferta de oficinas sobre consumo consciente na era do desenvolvimento sustentável por meio de parceria de Ongs ambientais com o Ministério da Educação de modo a levar o debate para as salas de aula sobre as formas de manipulação que os indivíduos estão sujeitos enquanto consumidores e o ensino de administração das finanças a fim de criar futuros consumidores menos alienados e cientes dos impactos devastadores do consumo desenfreado. Deste modo, o meio ambiente e o bolso agradecerão.