Os hábitos de consumo no Brasil

Enviada em 15/04/2019

Corroborando a perspectiva de George Orwell, “a massa mantém a marca, a marca mantém a mídia e a mídia controla a massa.”, desde a ascensão do sistema capitalista, o desejo consumista se tornou protagonista na vida do homem moderno, que, se vê rodeado por milhares de publicidades midiáticas que constroem uma tese de que o indivíduo tem seu valor social baseado em seu poder de compra.

Em primeira análise, é clara a influência do consumo desde os primeiros anos de vida do cidadão contemporâneo. No caso do Brasil, apesar de que no ano de 2017 foi explicitamente proibida a publicidade dirigida ao público infantil, não é difícil se deparar com uma criança deslumbrada por um produto que foi anunciado através de plataformas online e que rapidamente viralizam como sinônimo de diversão e ostentação. Entretanto, se não controlado, o que parece inofensivo passa a ser a primeira porta para o consumismo descontrolado na vida de uma pessoa, levando a um ciclo vicioso que tenderá a se repetir com o fito de continuar manter o império lucrativo das grandes indústrias.

Como retrato do consumo exacerbado, o livro “Os delírios de consumo de Becky Bloom” retrata uma personagem viciada em compras, que é levada à falência total após gastar tudo o que tinha para manter seu prestígio social. Não distante à realidade, a falta de controle no consumo leva brasileiros a colecionarem dívidas maiores que seu real poder aquisitivo, o que gera impacto no grande cenário econômico do país. Segundo levantamento feito pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), apenas no ano de 2018 cresceu em 4,4% o número de inadimplentes no Brasil, o que indubitavelmente atrasa ainda mais o estado de recuperação econômica de uma nação que já se encontra em profunda crise financeira.

Partindo do pressuposto de que o consumo descontrolado é um malefício às finanças do brasileiro, urge a necessidade de que haja uma preparação e educação financeira no Brasil. Portanto, cabe ao Estado trabalhar conjuntamente com as escolas desde o início do processo de aprendizagem, a conscientização e capacitação dos alunos para lidarem com a publicidade e compulsão por gastos. Através da adição obrigatória de aulas de educação financeira na grade curricular brasileira, contando com palestras que contem com especialistas em educação monetária e integração à cenários práticos com visitas de jovens do ensino médio à setores de finanças para ensina-los acerca do consumo consciente. Além disso, é de suma importância promover por meio de campanhas discussões e debates com o objetivo de conscientizar os pais e comunidade, trazendo ao conhecimento de todos os perigos que o consumismo pode esconder.