Os hábitos de consumo no Brasil
Enviada em 17/04/2019
Vemos o consumo como uma prática cultural e social instalada no cotidiano das pessoas. É sabido que, a publicidade lançada ao público, acaba por disseminar a ideia de que é necessário possuir determinados produtos ou serviços, induzindo os consumidores ao consumismo, comprometendo seu equilíbrio financeiro em busca dessa satisfação.
Apesar disso, nos últimos anos, parte da população adotou novas práticas de consumo. Outrossim, muitos têm consciência de que há uma relação direta do consumo com a produção de lixo e a utilização/esgotamento de recursos naturais. Contudo, apesar de reconhecerem a importância do tema, segundo dados do SPC Brasil, apenas 28% dos brasileiros são considerados consumidores conscientes.
Momentos de crise ou desaceleração da economia provocam certa mudança de comportamento das pessoas, que passam a administrar melhor o orçamento e, consequentemente, a criar uma relação mais saudável com o dinheiro. De acordo com o estudo realizado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com o Banco Central (BC), em 2018, oito a cada dez brasileiros mudaram seus hábitos no dia a dia. Destaca-se, entre as medidas adotadas, a pesquisa de preços antes de adquirir algum produto, limitar gastos com lazer, controlar despesas pessoais e procurar reduzir o consumo de luz, água e telefone. Assim, o brasileiro se vê forçado a buscar um equilíbrio entre suas necessidades e suas possibilidades.
Ao questionar a existência da ética em um mundo de consumidores, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman (2011) afirma que “a educação e a aprendizagem devem ser contínuas e vitalícias”. Logo, a mudança de hábitos exige a prática cotidiana das ações para que elas se transformem em novos hábitos mais adequados à sociedade contemporânea, que preza pelo consumo consciente ao produzir bens e serviços com respeito ao meio ambiente e às pessoas.
Desta forma, propõe-se que os órgãos de defesa do consumidor e a sociedade civil organizada cobrem do Estado uma maior regulação da publicidade sobre certos produtos ou serviços, com a veiculação de campanhas de conscientização quanto ao consumo consciente e de forma sustentável, que gerem menos impactos sociais e ambientais. Ademais, salienta-se a necessidade de que a educação financeira seja abordada no âmbito escolar desde as séries iniciais, disseminando conhecimento que seja capaz de provocar uma mudança de comportamento. Desta forma, são maiores as chances de criarmos cidadãos conscientes, com atitudes melhor posicionadas com relação aos seus hábitos de consumo e planejamentos de suas finanças.