Os hábitos de consumo no Brasil

Enviada em 21/04/2019

No universo literário de Jogos Vorazes, da escritora americana Suzanne Collins, o mundo vive um regime distópico onde as camadas econômicas são estratificadas, e o poder aquisitivo determina o sucesso individual. Paralelamente, a realidade brasileira em pouco se difere do enredo de Collins: a importância dos valores morais vem gradativamente sendo substituída pelo valor do potencial de compra, fato que ocorre, principalmente, devido à cultura consumista no Brasil.

Em primeiro plano, destaca-se o padrão vigente de felicidade intrinsecamente ligada ao acúmulo de bens como impulsionador do problema. Consoante ao sociólogo Karl Marx, a indústria difunde por meio da propaganda o fetiche à mercadoria, comportamento caracterizado pelo descarrego emocional ao consumo por parte do indivíduo moderno, que vê o ato de comprar como solução para seus anseios pessoais. Tal pensamento é comprovado ao analisar-se os dados fornecidos pelas instituições CNLD e SPC, as quais apontam que mais de 40% da população de alta classe usa as compras como forma de reduzir o estresse. Esse comportamento torna o indivíduo dependente do consumo, e consequentemente, consumista.

Contudo, o problema está longe de ser solucionado. Segundo o filósofo Aristóteles, a política deve ser feita de modo a garantir a felicidade e o bem estar dos cidadãos. Verifica-se, entretanto, a ineficiência governamental em fiscalizar os órgãos veiculadores de propaganda - maior agravadora do consumismo, segundo a teoria marxista -, rompendo com o ideário aristotélico.

Destarte, é mister que o Governo Federal, junto ao Ministério das Comunicações, crie campanhas de conscientização social sobre os efeitos do consumismo nas redes sociais, além de orientações de autogestão pessoal fornecidas por profissionais da economia nas redes virtuais federais, de forma a cientificar a população brasileira e assim, alcançar os ideais de Aristóteles.