Os hábitos de consumo no Brasil

Enviada em 20/04/2019

A produção cinematográfica “Delírios de consumo de Becky Bloom” retrata de forma descontraída o comportamento de uma compradora compulsiva que acaba por adquirir inúmeras dívidas e não enxerga perspectivas para conseguir quitá-las. Nesse sentido e, sabendo que o cinema é um dos mais importantes espelhos da vida social, é inegável afirmar que o longa em questão desvela uma realidade inerente à sociedade de consumo em que vivemos: a cultura do consumismo, difundida por todo o mundo, incluindo o Brasil. Dessa forma, até que ponto a sociedade moderna continuará relevando o fato de que seus hábitos de consumo moldam e controlam seus modos de viver?

Primeiramente, foi durante a Revolução Industrial, no século XVIII, que teve início a cultura do consumo, tão disseminada hodiernamente. Com o crescimento da produção em massa nas fábricas, foi preciso criar o consumidor, peça chave do sistema que tornou possível a sustentabilidade da industrialização. Nesse cenário, o consumo deixa de ser uma ação para a sobrevivência física humana e passa a compor um mecanismo que estrutura e organiza a vida social. Em pleno século XXI, nos dias que correm, os hábitos de consumo inconscientes estão plenamente estabelecidos, de modo que é constante e crescente a alienação causada pelo consumismo, deixando claro como urge a necessidade de reflexões e medidas que quebrem o ciclo vicioso do consumo desmedido.

Nesse contexto, o renomado sociólogo contemporâneo, Zygmunt Bauman, em seu livro “Vida para consumo” escreveu que o consumo é um elemento inseparável da sobrevivência biológica humana, de modo que é possível afirmar que esse sempre existiu, a novidade agora é a posição de centralidade que ele adquiriu na sociedade moderna. Ainda mais, segundo Bauman, as relações sociais humanas são baseadas no consumo, o que as tornam instáveis, líquidas. A aquisição de mercadorias, então, é capaz de valorizar a imagem individual perante a sociedade, fato que é bastante explorado pelos veículos midiáticos que vendem estilos de vida perfeitos a partir da comercialização de produtos que passam a ser vistos pelos consumidores como um caminho para alcançar a felicidade. Assim, é inegável assegurar que a alienação causada pelos hábitos de consumo é tamanha que influencia, inclusive, no desenvolvimento das identidades sociais.

Portanto, haja vista a necessidade de medidas que alterem os hábitos de consumo moderno, o Governo, através do Ministério do Desenvolvimento Social, deve promover campanhas com a utilização de hashtags digitais populares, disseminadas nas mídias sociais e televisivas, uma vez que são as de maior alcance popular, com o objetivo de alertar sobre a cultura do consumo em que estamos inseridos e incentivar hábitos de consumo saudáveis, a fim de cativar uma sociedade mais harmoniosa e estável.