Os hábitos de consumo no Brasil

Enviada em 20/04/2019

Apesar de o Brasil ser um Estado rico, a distribuição das riquezas produzidas é desigual. Geograficamente, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a maior parte do capital financeiro está concentrado no eixo sul, sudeste. Nesse contexto, metrópoles como Rio de Janeiro e São Paulo tornam-se vitrines e “ditam” o “modo de vida” do nacional. Um grande exemplo dessa influência, é o desejo pelo “celular da maçã”, comum nesses grandes centros. Parte significativa das pessoas sacrificam o orçamento para adquirir esse objeto, pois estão imersos na cultura do “ter para ser”, o que revela uma das facetas destrutivas do hábito de consumo dos brasileiros.

Mormente, é preciso destacar que a economia de qualquer nação cresce à medida em que seus membros produzem e consomem a produção. Entretanto, há outros fatores que afetam esse indicativo, assim, quando um trabalhador compromete parte significativa de seus rendimentos com o consumo e utiliza os serviços de crédito, como o cheque especial, para quitar as dívidas resultantes, esse dinheiro deixa de circular na cadeia produtiva para fazer parte do capital especulativo. Em outros termos, a economia precisa dos consumidores para crescer, entretanto, de forma inversamente proporcional, os endividados, ou superendividados, contribuem para geração de desigualdade, à media em que precisam  utilizar seus ganhos para pagar os juros em vez de de acumular riquezas.

Depois dessa rápida análise, é preciso entender o padrão de influência em relação ao consumidor  brasileiro. Neste ponto, a mídia tem protagonismo quando o assunto é a propaganda. Milhares de anúncios bombardeiam as pessoas com ofertas e produtos mirabolantes, diuturnamente. Há até aqueles que conseguiram assumir uma personalidade, como é o caso da palha de aço, mais conhecida como “Bombril”. As agências de propaganda são muito especializadas no seu mister ao ponto de vender TVs 4K antes mesmo da tecnologia chegar ao Brasil. Aliado a isso, as financeiras diluem o valor total em pequenas parcelas embutidas de juros, para fisgar aqueles que, mesmo não dispondo do montante total, adquiriram o bem, pelo dobro do preço. São as condições perfeitas para criar mais e mais consumidores compulsivos.

Isto posto, cabe à cada indivíduo perceber suas necessidades e as condições que dispõe, antes de consumir um bem, além disso, o PROCON (Programa de Proteção e Defesa do Consumidor) tem o importante papel de fiscalizar e autuar, em caso de manifesta irregularidade, as empresas que criarem armadilhas para formar devedores cativos. Em relação às financeiras, o BACEN (Banco Central) deve controlar as políticas de juros aplicadas, a fim de se evitar o superendividamento do cidadão e, com isso, fomentar o crescimento econômico a partir do consumo consciente de cada um.