Os hábitos de consumo no Brasil

Enviada em 21/04/2019

Ao apresentar a narrativa sobre as condições gerais da existência humana, Hannah Arendt deixa claro sua ideia que entre a vida e a morte humana, o trabalho além de assegurar a sobrevivência também influencia em todo modo de vida. A prova disto está após a Revolução Industrial, onde a modernização e a produção em massa de objetos de uso como se fossem bens essenciais de consumo, ultrapassam as reais necessidades e atinge o patamar da fascinação, trazendo à tona não só um modelo de produção mas um estilo de vida sobre os hábitos de consumo no Brasil.

Um fator primordial na conjuntura dos hábitos consumistas brasileiros é a fortificação das marcas de produtos pelas mídias, as quais realçam um comportamento mediado por imagens. O perigo, assim como discursado por Hannah, é que tal sociedade deslumbrada pela abundância e sua crescente fabricação e produtividade, em um processo interminável, já não é capaz de reconhecer a sua própria futilidade e a real necessidade dos materiais que consomem, em um estudo realizado pelo Serviço de Proteção ao Crédito apontou que aproximadamente 30% da população brasileira realiza compras conscientemente, mostrando assim uma parcela muito alta da sociedade ainda fazen compras sem saber o verdadeiro motivo da compra, sendo influenciados por imagens midiáticas, padrões de vidas exagerados e luxuosos.

Consequentemente, os hábitos de consumo trazem uma dominação das preocupações econômicas e a valorização da superprodução sem pensar na conservação do meio ambiente. Ao produzir mais para atingir os valores estimados na economia, a matéria prima encontrada no meio ambiente se torna escassa, assim como o descarte errôneo do produto que é trocado com facilidade pelo “novo”. O ser humano caminhou de uma sociedade onde o ideal era produzir para consumir para uma que os princípios são de produzir para ter sempre mais do é preciso, vive-se de excessos desnecessários apenas para mostrar ao outro que se tem mais, mostrando assim a inversão de valores culturais e alienação humana na atualidade.

Portanto, para a resolução da problemática se faz necessária uma ação em conjunta do Ministério da Educação e das escolas através de ações educativas fixas, na qual as escolas pudessem ofertar na grade regular de ensino uma matéria relacionada à educação financeira, oferecendo aos alunos um vasto conhecimento sobre finanças, o poder de compra, economia brasileira e direito financeiro, afim de mostrar a importância do consumo desde criança à vida adulta, priorizando o modo de vida e a influência midiática, esclarecendo assim o papel do indivíduo na sociedade. Desta forma, pode-se distanciar dos excessos na existência humana ditos por Arendt.