Os hábitos de consumo no Brasil

Enviada em 21/04/2019

No filme Wall-E, lançado em 2008, é retratado um futuro distópico em que o Planeta Terra encontra-se inabitável, devido ao acúmulo de lixo e gases tóxicos na atmosfera. Nesse sentido, a animação foca na trajetória do robô Wall-E, o qual foi deixado na superfície para recolher o lixo, enquanto a humanidade aguardava em uma nave espacial. Fora da ficção, o consumismo vem ocasionando diversas vicissitudes no meio social e ambiental, como o acúmulo de lixo, tendo a negligência da sociedade e do Poder Público como fortalecedores dessa problemática, que necessita ser culturalmente combatido.

Em primeiro lugar, cabe destacar que, em função do hipercapitalismo e do desenvolvimento da sociedade de consumo, o meio ambiente está cada vez mais exposto a impactos que ameaçam a sua integridade. Desse modo, de acordo com os sociólogos Adorno e Horkheimer, criadores da Teoria Crítica, o capitalismo, representado pela Indústria Cultural, induz uma pseudofelicidade nos indivíduos, mediante o consumo excessivo, o qual propicia a perda da autonomia consciente e a crise da razão. Como consequência, o meio ambiente é negligenciado, principalmente pelo descarte incorreto de produtos de consumo, a exemplo dos plásticos, que podem ocasionar obstáculos sociais e econômicos para uma Nação.

Outrossim, presencia-se o incentivo governamental nos hábitos de consumo na sociedade brasileira, o qual visa os aspectos econômicos em detrimento dos obstáculos ambientes e sociais que essa situação pode acarretar. Como exemplo, pode-se mencionar o acúmulo de detrimentos do consumo no ambiente aquático, que pode afetar a cadeia alimentar e o ciclo reprodutivo de muitas espécies. Além disso, no âmbito social, o acúmulo de lixo pode obstruir bueiros e valas, o qual geram enchentes e desabrigam indivíduos, principalmente das regiões periféricas. Essa situação, por sua vez, corrobora a visão de Zygmunt Bauman, que já afirmava a presença do individualismo no mundo globalizado, o qual se apresenta pela baixa solidariedade das minorias privilegiadas economicamente, que, por sua vez, negligenciam esses impactos por não estarem presentes em sua realidade.

Faz-se mister, portanto, que o Estado tome providência para amenizar o quadro gerado pelo consumismo. Dessa forma, cabe ao Poder Público criar campanhas educativas, explorando os efeitos nocivos do consumismo exacerbado para o meio social e ambiental, por meio da exposição em imagens e vídeos das ocorrências desses efeitos no território brasileiro, a fim de estimular o senso crítico dos indivíduos e dirimir o acúmulo de lixo nesses espaços. Assim, o meio ambiente será resguardado e valorizado para as futuras gerações.