Os hábitos de consumo no Brasil
Enviada em 21/04/2019
O Consumo Irresponsável e a Educação Brasileira
Ao longo dos séculos, a prática do consumo foi construída baseada nas mudanças que ocorreram na sociedade global, sendo um de seus grandes marcos a Primeira Revolução Industrial, que transformou consideravelmente a relação entre homem, natureza e tempo. Dessa maneira, o Brasil, uma vez que não está alheio às mudanças externas, atualmente apresenta um consumo claramente irresponsável, principalmente nas camadas mais novas de sua população, o qual é fruto de uma educação defasada no âmbito financeiro e comercial.
De início, o jovem brasileiro das classes mais baixas não tem acesso a aulas de matemática financeira nem são informados dos direitos do consumidor. Logo, ele possui pouca consciência de seus direitos como cidadão consumidor e das ferramentas e cuidados necessários que levariam a um hábito de consumo mais saudável e prudente. O filme “O preço do amanhã”, produção de Andrew Niccol, retrata um mundo em que o tempo é literalmente dinheiro, produto de troca e negociação. Sendo assim, nos leva a questionar a forma que estamos nos relacionando com o meio que estamos inserido e o consumo.
É notório, ainda, que os indivíduos são bombardeados por propagandas, vídeos de “comprinhas” de influenciadores digitais e produtos da industria cultural, como filmes e músicas. Dessa forma, os adolescentes e adultos encontram-se cercados por incentivos de um sistema capitalista a comprarem intensivamente, como durante o evento “Black Friday” e os outros feriados com cunho comercial, visando uma posterior aceitação dessa sociedade de consumo. Isto ocorre graças ao fetichismo de mercadoria, analisado por Karl Marx, que se trata do sentimento de uma necessidade, afeição e apego a um objeto. Sob essa lógica, os brasileiros tornam-se cada vez mais ligados ao material, contrariando a teoria das ideias de Platão, ao acreditarem que o mundo sensível é superior e mais importante que o mundo das ideias.
Portanto, o brasileiro, acompanhado pela sua irresponsabilidade perante a realidade consumista, urge mudanças no raciocínio e planejamento educacional. Nesse sentido, o Ministério da Educação e Cultura deve adicionar a matemática financeira na grade curricular obrigatória, por meio de uma parceria com as escolas públicas e privadas, principalmente no ensino fundamental II, através da reformulação do planejamento das aulas, incluindo palestras sobre o consumismo e seus impactos no meio ambiente com profissionais especializados, como economistas e psicólogos, a fim de garantir o ensino de um consumo consciente e responsável.