Os hábitos de consumo no Brasil
Enviada em 21/04/2019
Estabelecida por Newton, a lei da inércia prescreve que a tendência dos corpos quando nenhuma força for exercida sobre eles, é permanecer em seu estado natural. Aplicando esse conceito físico no contexto dos hábitos de consumo no Brasil, percebe-se que a inexistência de ações corrobora na persistência dessa problemática. Nesse sentido, vale ressaltar a ausência de leis no âmbito publicitário bem como a negligência educacional estatal.
Intitulado como o pai da economia, Adam Smith acreditava que o consumo era a única finalidade e o único propósito de toda a produção. Desse modo, a publicidade é de extrema relevância para o consumo e para a economia. Contudo,o conteúdo de algumas propagandas pode ser completamente abusivo ao prometem enganosamente falsas satisfações para o consumidor, como no caso Bettina, que vendia num video publicitário, cursos ministrados pela empresa financeira Empiricus que ensinavam o comprador do mesmo a transformar mil reais em um milhão. A inexistência de leis que reprimam e filtrem as publicidades comerciais com a finalidade de resguardar o consumidor, viabiliza o consumo imprudente e infeliz.
Outrossim, é fundamental o papel do Estado na educação e formação crítica de seus cidadãos. O sociólogo alemão Karl Marx mencionava em seus estudos o consumo alienado como um meio de dominação, onde a ânsia pelo consumo faz com que os homens percam todas as suas relações com suas necessidades reais, viabilizando um gasto maior em dinheiro do que realmente recebem. Desse modo, é possível analisar que o Governo tem sido falho ao instigar o raciocínio crítico e premeditado em seus cidadãos, onde esses, na ineficácia da educação atual ofertada, tornam-se despreparados para refletir sobre o consumismo. Sendo assim, tal vulnerabilidade os deixam propícios a essa ideia de falso desejo, que por conseguinte propicia o endividamento de muitos.
Portanto, para que uma força seja exercida sobre esse corpo inerte e haja mudanças, é imprescritível que o Governo Federal aliado ao legislativo, sancione leis que barrem propagandas publicitárias com argumentos falsos ou extremamente apelativos, que devem ser fiscalizadas pelo Órgão de Defesa e Proteção do Consumidor (PROCON). Não somente, faz-se necessário que o Estado amplie suas verbas destinadas a educação, focando em essencial na ministração de aulas de Sociologia e implantando Educação Financeira e Econômica nas escolas inserindo nessas matérias assuntos que abordem o uso responsável do dinheiro perante ao consumo e as necessidades, assegurando assim um futuro econômico mais sólido e prudente para o país.