Os hábitos de consumo no Brasil
Enviada em 22/04/2019
O período Entre Guerras foi marcado pela ascensão dos Estados Unidos como potência mundial e, por conseguinte, a exportação de seus produtos e também valores, como maior exemplo o “American way of life”, ou estilo de vida americano, caracterizado pelo consumismo exacerbado e a padronização social. Hodiernamente, é inegável que o Brasil foi influenciado por este modelo de comportamento e que essas práticas têm sido perpetuadas. É necessário, portanto, analisar os hábitos de consumo no Brasil, influenciados por padrões socioculturais e imposição da mídia, a fim de tornar os brasileiros compradores mais cônscios.
Para o filósofo Platão, o amor (Eros) é o desejo por aquilo que não se tem, mas que perde seu valor assim que é possuído; este pensamento exprime o significado do consumismo, que no mundo contemporâneo é muito influenciado pelo mercado, o qual busca associar determinados produtos com vidas felizes e bem sucedidas, de modo a fazer aqueles que não os consomem se sintam excluídos do mercado e sociedade, e por fim priorizem a urgência causada pelo impacto desses valores, em vez da durabilidade e qualidade da mercadoria, o que corrobora hábitos de consumo cada vez mais incônscios por significativa parte dos brasileiros.
“É doce estar na moda, ainda que a moda seja negar minha identidade”. Em seu poema “Eu, Etiqueta”, Carlos Drummond explicita o impacto da mídia por meio de suas propagandas, que busca não somente vender seus artigos como também moldar o cliente para que este esteja fadado por uma falsa ótica de liberdade de escolha, influenciada por padrões pré-estabelecidos por trás do culto à liberdade do sistema capitalista.
Urge, portanto, que o Ministério da Educação promova palestras e campanhas de educação financeira nas escolas a fim de preparar desde cedo os cidadãos a consumirem de forma ponderada, bem como a regulamentação por parte do Governo Federal à propagandas comerciais. Dessa forma, caminha-se para que brasileiro preze mais pelo “ser” do que pelo “ter”.