Os hábitos de consumo no Brasil

Enviada em 24/04/2019

O consumo de bens e serviços diversificados e ao alcance de grande parte da população brasileira pode ser visto como algo positivo, na medida em que reflete o grau de desenvolvimento econômico e tecnológico da sociedade contemporânea, sendo, ademais, necessário para o bom funcionamento do sistema capitalista. No entanto, quando esse hábito supera a capacidade financeira, torna-se extremamente nocivo para o indivíduo, que sucumbe ao consumismo, sobretudo, por falta de autocontrole e de educação financeira.

Em primeiro plano, a falta de disciplina de grande parte dos consumidores é fator que sustenta o problema. Um processo que começa com uma educação deficiente e pouco voltada ao autoconhecimento do aluno e consolida-se mediante exposição continuada a sofisticadas estratégias de marketing cria uma conjuntura na qual a satisfação de um desejo por meio de uma compra não encontra alicerce seguro, cedendo rapidamente a um novo “sonho de consumo”. Perpetua-se, dessa forma, um círculo pernicioso que lesa a saúde financeira do sujeito e, por conseguinte, a sua qualidade de vida, levando 62,4 milhões de brasileiros à inadimplência, segundo dados de novembro de 2018 do portal Serasa Experian.

Concomitantemente a essa dimensão, quando o renomado filósofo Lev Vigotsky afirma que a escola não deve se distanciar dos aspectos da vida social de seus participantes, corrobora-se a necessidade de eixos como a educação financeira serem desenvolvidos no ensino básico. Contrariamente a essa lógica, as escolas introduzem de forma limitada ações pedagógicas capazes de preparar o aluno para o “mundo real”, construindo seus currículos com foco, principalmente, na preparação para o ENEM e vestibulares. Assim, indivíduos pouco preparados para lidar com o dinheiro tornam-se vítimas do sistema capitalista, agindo conforme os desejos dos profissionais de marketing em uma relação cada vez mais desigual.

Portanto, o Poder Executivo federal, tendo como principal objetivo o bem comum, por meio da atuação do Ministério da Cidadania em parceria com os Centros de Assistência Social deve oferecer suporte psicológico gratuito para os casos de consumismo patológico que colocam em risco a satisfação das necessidades básicas do indivíduo, de modo a salvaguardar seus direitos. Outrossim, o Ministério da Educação deve estabelecer, como parâmetro curricular nacional obrigatório, a disciplina de educação financeira a partir da quinta série do ensino fundamental, visando garantir a formação de cidadãos conscientes quanto à administração de seus recursos monetários.