Os hábitos de consumo no Brasil
Enviada em 13/07/2019
Modernidade distorcida
Desde os processos denominados “Revoluções industriais” e a ascensão do capitalismo, priorizam-se demasiadamente produtos e mercado em detrimento de valores humanos essenciais. Dessa forma, a mídia estimula o consumismo exacerbado e a valorização do indivíduo passa a ser pelos bens que ele possui ao invés de sua essência. Por consequência, cria-se a cultura da ostentação, a qual jovens e adultos se exibem ao usar roupas, bonés, calçados e acessórios de marca, mesmo que estes não condizem com o padrão de vida que podem sustentar.
Primeiramente, a hodiernidade é caracterizada por uma sociedade do espetáculo, como caracteriza o filósofo francês Guy Debord, a qual a mercadoria chega à ocupação total da vida social. Assim, o consumo de produtos passa a ser uma necessidade, principalmente para adolescentes, de se socializar e ser respeitado. Dessa maneira, expõem-se a um modelo de “vida perfeita” a base do que e quanto se possui. Contudo, as pessoas por trás desse exibicionismo são inseguras e muitas vezes gastam acima do que possuem.
Segundamente, a distorção causada pelo capitalismo gera uma infelicidade, pois o que o indivíduo exibe não é a realidade. Além disso, essa falsa felicidade é alimentada pela quantidade de coisas que a pessoa compra, o que leva a uma satisfação momentânea. Da mesma forma, os relacionamentos são descartáveis, o que gera uma população egocêntrica. Trata-se da “Modernidade líquida”, descrita pelo filósofo polonês Zygmunt Bauman em seu livro com mesmo nome. Como efeito da tendência ao consumo, as relações sociais são transformadas em mercadoria.
É necessário, portanto, uma maior conscientização de jovens e adultos perante ao consumo. Logo, as escolas devem oferecer aulas de economia básica para alunos do ensino médio e promover debates sobre o assunto para formar futuros consumidores que saibam os limites de uma compra saudável. Outrossim, a família deve educar as crianças para não serem consumistas extremos, através do controle de suas mesadas. Ademais, no meio de uma sociedade de aparência e exibicionismo, é preciso valorizar as qualidades interiores humanas.