Os hábitos de consumo no Brasil

Enviada em 15/07/2019

Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, não tem como escapar do consumo, pois já faz parte do metabolismo do homem, o problema está na questão insaciável de continuar consumindo. Nesse sentindo, a julgar a sociedade brasileira, observar-se que o hábito de consumir exageradamente se encontra cada vez mais presente. Isso acontece por conta do “bombardeio” de propagandas de incentivo ao consumo que o indivíduo está constantemente sujeito,atrelada à falta de consciência crítica, além da carência de uma educação financeira que boa parte dos brasileiros não possuem.

De acordo com a escola de Frankfurt do século XX, as pessoas são controladas pela “indústria cultural” que difunde suas ideias e seus produtos por meios de comunicações de massa, a fim de obter exclusivamente o lucro. Nesse contexto, é possível traçar um paralelo com essa realidade, já que parte significativa da população é influenciada pela mídia e até mesmo manipulada à comprar mercadorias que, muitas vezes, nem irá usá-las. Isso ocorre devido  ao grande índice de propagandas que instigam ao consumismo desenfreado. Além disso, a ausência de senso crítico de milhares de brasileiros contribui para esse quadro, já que a falta de reflexão faz com que o indivíduo viva de maneira alienada em relação a decisão de optar conscientemente perante o consumo que lhe é imposto.

Outrossim, é válido ressaltar que o consumismo advindo das grandes “revoluções industrias” foi consolidado a partir da crise de 1929, uma vez que as empresas para expandir seus produtos tiveram que estabelecer modelos pautados no crédito facilitado com a finalidade de ampliar o consumo. Nessa lógica, percebe-se que no Brasil contemporâneo ocorre de maneira análoga, pois a própria política de governo é de incentivo ao consumo para mover a Economia do país. No entanto, grande parte dos brasileiros não possuem uma educação financeira, o que justifica os dados da Pesquisa de Endividamento do Consumidor(Peic),  que apontou o percentual de famílias brasileiras com algum tipo de dívida subiu de 59,8% em dezembro de 2018 para 60,1% em janeiro de 2019. Com base nisso, é preciso medidas imediatas para mitigar essa problemática.

Portanto, o Ministério da Educação deve implantar nas escolas um projeto, que pode ser chamado de “Alienação Zero!”, com o propósito de ensinar crianças e jovens a não serem manipulados pelos meios de comunicação de massa, isso pode ser feito por meio de palestras e seminários com a participação ativa de todos com  debates de  maneira coletiva. Ademais, cabe aos Estados implantar nas grades curriculares escolares tanto no fundamental ao médio, disciplinas de educação financeira, a fim de que as pessoas aprendam desde cedo a consumir de forma consciente. Dessa forma, os impactos do excesso de propagandas que estimulam ao consumo não será o problema.