Os hábitos de consumo no Brasil
Enviada em 13/07/2019
O progresso e desenvolvimento tecnológico trouxeram para a sociedade contemporânea muitos bens de consumo que facilitaram a vida cotidiana. No entanto, esses bens tornaram-se mais do que objetos de grande utilidade, passaram a ser fonte de status e indicador de poder de consumo e riqueza. Assim, adquirir bens virou um falso indicador de sucesso na sociedade, desencadeando o consumismo na população.
Em A Cidade e as Serras de Eça de Queiroz, o personagem Jacinto vive em uma Paris que é símbolo do progresso e da riqueza e, assim, acreditava que ali encontraria a “Suma Felicidade”, pois era cercado por toda tecnologia proporcionada pela civilização. Então, após alguns anos distante de Zé Fernandes, amigo de Jacinto, Zé Fernandes encontra o parisiense atordoado e sem vivacidade em meio a tanta acumulação que não trazia felicidade; assim, ambos vão a Tormes aonde Jacinto, em um primeiro momento, se frustra com o atraso e rusticidade da vida do campo. Todavia, acaba encontrando ali prazer, ainda que distante de todo aparato proporcionado pela vida urbana, pois percebe que o sucesso não está limitado em adquirir coisas.
Segundo Karl Marx, a ideologia é uma ideia que objetiva ofuscar a percepção da realidade. Dessa maneira, aquela visão de Jacinto de que o acúmulo de bens traria a “Suma Felicidade”, presente também na sociedade contemporânea, é uma ideologia errônea. Porque, a busca por bens materiais traz uma frustração constante, pois no mundo globalizado há sempre uma nova tecnologia e, por mais que se alcance alguns dos objetos almejados, sempre haverá novos lançamentos. Logo, se o sucesso se basear naquilo que se tem, a maior parte da população nunca se sentirá satisfeita, pois sempre haverá algo novo para se obter.
Diante do exposto, considerando que em filosofia o conceito de liberdade indica um estado de autonomia intelectual a qual dificulta a submissão do sujeito, conclui-se que o indivíduo consumista não possui liberdade. Porque, por meio da mídia, o consumista fica submetido a valores impostos de bem estar relacionados a possuir bens que o incentivam ao consumismo. Então, sem nenhuma reflexão crítica, o consumidor deixa de consumir por necessidade própria e é submetido ao que lhe é imposto.
Portanto, é preciso que os consumidores sejam conscientes. Para isso, toda população deve ter acesso ao conhecimento sobre Economia Doméstica, pois só assim se refletirá sobre o que consumir e quando. Assim, é preciso que essa disciplina seja ministrada por professores especialistas na área e adaptada para as diversas idades dos alunos que vão do Ensino Fundamental ao Médio. Logo, o Ministério da Educação deve incluir essa matéria na base curricular comum.