Os hábitos de consumo no Brasil

Enviada em 15/07/2019

A Falsa Inclusão

A Revolução Industrial foi um fenômeno histórico que deu início a uma série de transformações responsáveis pela configuração da realidade atual. Se o trabalho assalariado existe hoje, acompanhado pelos hábitos de consumo da população, certamente é graças à transição ocorrida a partir do ano 1760. Diante desse cenário, convém avaliar os fatores que influenciam o consumo dos brasileiros na atualidade.

Diferentemente do Feudalismo (contexto histórico no qual quem possuía terras detinha o poder), no presente, a influência se dá de formas diferentes. O filme “Psicopata Americano” conta a história de um jovem empresário que comete uma série de atrocidades, mas é protegido por seus privilégios, riqueza e posição social, numa realidade capitalista em que o consumismo paulatinamente o afeta e o estimula a cometer homicídios. Fora da ficção, o consumo na sociedade atual não ocorre apenas para suprir suas necessidades básicas, mas influencia as relações interpessoais, uma vez que aquele que detém o poder possui maior capacidade de consumo e, consequentemente, maiores oportunidades e privilégios, como o protagonista do filme.

Conforme o livro de aforismos “O Avesso das Coisas”, de Carlos Drummond de Andrade, “O capital expande-se à medida que se restringe a capacidade de usufruí-lo”. O pensamento do autor reflete a realidade de muitos cidadãos brasileiros na contemporaneidade: o dinheiro torna-se cada vez mais importante na vida dos trabalhadores, que gastam mais do que recebem. A propaganda se faz cada dia mais presente, empresas patrocinam programas de televisão, redes sociais, influenciadores digitais e, embora sejam um meio de financiar esses veículos midiáticos, estes fomentam o consumismo desenfreado e contribuem para que as pessoas com menor poder aquisitivo, conforme estudo do SPC e da CNDL, sejam as que mais gastem em coisas supérfluas. Assim, permanecem endividadas, não ascendem socialmente e fortalecem os bancos, cobradores de juros altíssimos.

Por conseguinte, providências são necessárias para mitigar os hábitos de consumo excessivos dos brasileiros. Os Ministérios da Cidadania e Educação poderão promover palestras e mostras de arte e música que questionem e critiquem a propaganda e o consumismo no Brasil e no mundo, para conscientizar os jovens e a população em geral sobre a grande influência que a publicidade exerce em suas vidas. Além disso, o consumo consciente deve ser debatido nas instituições de ensino, assim como a falsa necessidade de ostentar para demonstrar status social, com a finalidade de evidenciar que o dinheiro e o consumo não são meios de inclusão, e sim de divisão social.